• Marcus Vinícius Beck

Disco recupera 22 canções de Neil Young

Música

Trabalho do músico canadense já pode ser conferido nas plataformas digitais

Capa do disco "Songs for Judy". Foto: Reprodução


Nos loucos anos de 1970, o cantor e compositor canadense Neil Young costumava ter uma vibe tão para baixo que quando fazia algum comentário com tom de humor espantava a galera que estava ao seu lado. Então ele chegou a criar músicas para homenagear amigos viciados em heroína e seus discos tinham uma pegada bem crua, parecendo terem sidos criados para tocar em velórios.


Mas o que é importante para este que vos escreve enquanto jornalista cultural é que tais trabalhos não eram ruins. Na verdade, para se ter uma ideia, os álbuns "On the beach" (1974), "Tonight's the Night" (1975) e "Zuma" (1975) estão entre os melhores de sua discografia. E foi uma época extremamente produtiva, onde o guitarrista sequer tinha espaço para lançar tantas músicas de excelente qualidade sonora.


Assim, desembarcamos em "Songs for Judy", disco gravado em shows acústicos de novembro de 1976 e já disponíveis nas plataformas de streaming. São 22 músicas em interpretações sensacionais, com voz, violão e gaita, ao melhor estilo folk, eventualmente com a harmonia de piano. É uma obra importante para reverenciarmos um verdadeiro mestre do rock norte-americano.


Presente gigantesco para os fãs, o disco tem seu pontapé inicial de forma altamente bizarra. Porém não era nada engraçado a nível de gargalhadas, e sim uma piada um pouco sem sal: o músico, obviamente com a cabeça viajando, conta para o público que acabou de conhecer o fantasma de Judy Garland. Alegre, brinca com o público e ironiza críticos musicais, mostrando um lado falante pouco conhecido.


Ninguém nunca tinha visto o artista dessa forma. No disco, Young passeia pelo seu rico repertório. Canta clássicos do calibre de "Harvest" (1972), outras de "After the Gold Rush" (1970) e também seu álbum solo de estreia, "Neil Young" (1969). Da época em que era da banda psicodélica Buffalo Springfield, que não podia faltar, tocou Mr. Soul e avançou apresentando músicas que foram lançadas no final dos anos de 1970.


Apesar de só agora ter chegado de fato ao público em geral, essas gravações já circulavam entre os fãs de Neil Young nas últimas décadas sob o nome de The Berstein Tapes. Tal título vem do fotógrafo Joel Bernstein, o cara que registrou os shows de Young com as melhores versões de cada música. Há trechos de apresentações em diversos locais, como Atlanta, Boston, Chicago e Nova Iorque.


Bernstein chegou a fazer quatro ou cinco cópias de cada fita, porém uma chegou a sumir e terminou por servir de matriz para a pirataria. Com um ouvido fodido, Young fez um excepcional trampo de recuperação do áudio O som é tão nítido que temos a sensação de o guitarrista canadense estar tocando na sala de sua casa, o que por si só já seria um fator importante para você parar e escutá-lo.


O único ponto problemático é que "Songs for Judy" não chegou a ter um lançamento no Brasil. Só vamos conseguir obter o produto se acessarmos o site neilyoung.warnerbrosrecordes.com. Mas, conforme já falei aqui, o disco está nas plataformas digitais e há uma possibilidade de ouvi-lo gratuitamente no aplicativo de celular Neil Young Archives, lançado no ano passado.


Disco conta com várias informações e curiosidades sobre o compositor.