Banda punk feminista critica patriarcado em letras

May 17, 2019

 Música

 

Grupo brasiliense ‘Xavosa’ agita Capital Federal com canções politizadas ancoradas na militância das integrantes

 

Da esquerda para a à direita: Lucas Fuschino (baixo), Camila Galetti (voz), Rita Lima (bateria), Lorena Lima (guitarra)       

 

Basta você ouvir os primeiros acordes da guitarra de Lorena Lima para pensar “eis que estou frente a frente com um punk clássico”. Essa foi minha primeira impressão quando senti correr pelas minhas veias e artérias a sonoridade crua e clássica do grupo brasiliense Xavosa, que vem agitando a cena alternativa da Capital Federal com letras que evidenciam a militância política das integrantes.

 

Lembro-me que fiquei hospedado com a fotógrafa Júlia Lee na casa de Lorena no ano passado, quando fomos para Brasília cobrir a 20° edição do Porão do Rock, que aconteceu no Estádio Mané Garrincha. Na ocasião, reconheço, minha percepção musical (tomada pelo rock clássico sessentista, conforme você já está cansado de ler neste Jornal Metamorfose) ficou assustadérrima com a pegada cheia de energia dessa galera de Brasília.

 

Antes dessa verborragia impressionada, senhoras e senhoras, preciso discorrer um pouco sobre a questão política que está intrinsecamente ligada ao movimento punk. Surgido na década de 1970, tendo como principais expoentes bandas do calibre de The Clash, Sex Pistols, Ramones e Stooges, o rolê se pautou desde os primórdios pelo combate às mais diversas formas de autoritarismo.

 

Até aí acredito que não haja nada de mais, mas acontece que as mulheres costumam não ter voz artes. Seja no punk, na pintura, na literatura... elas precisam falar! Digo isso como homem, sujeito que durante séculos fomentou e contribuiu para a consolidação do patriarcado e de hábitos que as agridem e as matam. E é justamente aí que está a espinha dorsal da Xavosa.

 

Formada no começo de 2017 em Brasília, a banda tem como principais influências a galera do Hole, Distillers e Tsunami Bomb e, por isso, elas descrevem o som que fazem como “um punk que transita entre o hardcore melódico”, ainda que eu (no alto da minha loucura jornalística tente encaixar músicas em algum gênero musical) insista em defender que o som das brasilienses é tipicamente setentista.

 

Bem, continuando a falar da história do grupo: no ano passado, Xavosa gravou sua contribuição ao “À beira do Caos”, tributo à banda punk feminista brasiliense Bulimia, com o lançamento previsto para o segundo semestre deste ano. Também realizaram, em fevereiro, o primeiro EP, intitulado “Luta”. Os dois registros foram feitos no estúdio 123 Recording Studio pelo produtor Pedro Tavares.

 

Com pouco, porém memoráveis shows no currículo ao longo de 2017, Xavosa voltou aos palcos no último mês de março no evento Poções de Bruzaria, ao lado de Anti-Corpos (ícone do hardcore feminista nacional), Hayz, Bloody Mary Una Chica Band (ambas de São Paulo), e a conterrânea Penúria Zero. E como esperávamos, o show foi, digamos, descaralhante em diversos aspectos.

 

Como eu ia falando, cada vez mais é preciso que tenhamos mais e mais bandas feministas surgindo no cenário alternativo do Centro-Oeste. Que apareçam mais letras com cunho político, que tenhamos mais composições que critiquem o machismo enraizado em nossa sociedade, que tenhamos mais mulheres e mais mulheres ocupando espaços em que elas se tornam as produtoras de discursos... é disso que precisamos!

 

Enfim, após este mea-culpa jornalístico e musical, não há como esperarmos outra coisa das minas do Xavosa senão a emancipação política, feminina e musical. Trata-se de uma iniciativa importantíssima em tempos onde o reacionarismo saiu do armário e passou a ocupar os espaços de poder. Portanto, só para reafirmar mais uma vez: elas são fodas!

 

Para fechar este texto, preciso insistir que temos de promover a unificação do cenário underground de Brasília e Goiânia – aliás, você não lembra no ano passado quando a banda Tarot tocou no Cabaret Voltaire e tantas outras se apresentaram no Bananada? Porque fazer rock, e fazê-lo com uma pegada politizada, feminista e estética punk, simboliza a resistência em seu nível mais sublime possível.

 

E hoje, mais do que nunca, é preciso resistir. Antifascistas, não passarão!

 

Músicas da banda estão disponíveis na plataforma de streaming Spotify 

 

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