• Júlia Aguiar

26 de janeiro: data limite

Rio de Janeiro

Ocupação e Projeto Cultural Benjamin Filho sofre com a possibilidade de despejo no dia 26 de janeiro. Ocupação acolhe mais de 30 crianças

Vídeo sobre a ocupação e Projeto Cultural Benjamin Filho. Vídeo: Lee Aguiar e Deep Alpa


Estamos presenciando um genocídio que segue um projeto neonazista de extermínio da população brasileira, em sua forma mais distópica e cruel. Protagonizado não somente por milicos, mas toda a trupe reacionária que prefere dinheiro à vida das pessoas.


O reflexo é claro como a branquitude que pratica um projeto de poder desde 1.500, não seria diferente em 2021. No berço dos piores momentos, na barriga da miséria brasileira, no centro da capital que popularizou o fascista que controla o país, existe uma chama de resistência que grita.


Logo ali, ao lado do prédio da maior empresa estatal do país, a Petrobras.


Na avenida República do Paraguai, número 1, existe a ocupação e Projeto Cultural Benjamin Filho. Há quase um ano, 10 famílias e 18 crianças colocam em prática um projeto cultural que cuida e educa mais de 40 crianças.


O prédio que essas famílias ocupam era o “Centro de Recepção de Crianças e Adolescente Taiguara”, que foi desativado após ter sido alvo de inquérito policial a cargo da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), sob acusações de maus-tratos e torturas de menores. O espaço estava abandonado pelo poder público desde 2013.


Com o projeto cultural, mais de 40 crianças e adolescentes em vulnerabilidade social são acolhidas e alimentadas dignamente 4 vezes ao dia. Além de protagonizarem uma experiência autônoma, horizontal e completamente voltada para uma educação libertária e amorosa.


“Nós transformamos um antigo local de dor e sofrimento, abandonado pelo poder público, em um centro de acolho e esperança para nossas crianças”, conta Tia Kellyinha, uma das criadoras do projeto ao Jornal Metamorfose.


Por iniciativa de mães que foram despejadas pelo poder público junto com outras dezenas de famílias que viviam na ocupação Casa Cruz, e diante da iminente necessidade de proteção sociocultural para suas crianças, oferecendo-lhes atividades culturais que as acolhessem e fomentassem seu desenvolvimento, essas mães se organizaram e deram início ao Projeto Cultural Menino Benjamin Filho (nomeado em homenagem ao menino Benjamin Filho, morto durante uma operação policial na comunidade do Alemão em 2018).


Reintegração de posse


Como se não bastasse a gestão genocida da pandemia por parte do poder público, despejar famílias e crianças parece se tornou uma práxis. Ultrapassando a casa de 200 mil mortos – subnotificados, lembremos sempre – e com cidades inteiras asfixiando-se com covid-19, com leitos lotados e uma segunda onda de contaminação: entregar mais pessoas à morte parece o correto, pelo menos aos fardados de toga que controlam o poder judiciário na cidade do Rio de Janeiro.


Em 2020, a necropolítica banhada pela classe jurídica, protagonizou diversas reintegrações de posse em ocupações pela cidade. Em 26 de janeiro de 2021, às 8 horas da manhã, está marcada reintegração de posse na ocupação e Projeto Cultural Benjamin Filho.


O prédio, caso seja cumprida a ordem de despejo, será entregue para o Instituto Brasileiro de Música e Educação (IBME), decisão tomada pelo juiz Paulo Roberto Campos Fragoso – mesmo sendo contra a Lei Estadual 9.020/2020, que proíbe ordens de despejo, reintegrações e imissões de posse e remoções no estado do RJ durante a pandemia de Covid-19.

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