Aos 30, Seinfeld continua hilária e irresistível

Televisão

Quarteto nova-iorquino influenciou uma geração de humoristas
 

 

“Seinfeld” é um marco na história da televisão mundial, mas quando o seriado estreou na noite de 5 de julho de 1989 não havia Elaine Benes e Cosmo Kramer - dois dos personagens mais relevantes - tal como a gente passou a conhecê-los. O vizinho doidão, imortalizado pelo ator norte-americano Michael Richards, chamava-se Kessler, e não era aquele sujeito maluco que arrancaria gargalhadas do público com seu comportamento estranho.

 

Sequer o nome da série era o que a consagrou na década de 1990. Apenas no episódio seguinte, exibido no dia 31 de maio de 1990, quando a rede de TV aberta NBC parou de ver com maus olhos a ideia nada convencional de dois comediantes pouco conhecidos, Jerry Seinfeld conseguiu emplacar seu sobrenome no título da produção e, a partir daí, o seriado caiu no gosto do público.

 

Melhor atriz cômica do quarteto e a mais bem-sucedida depois do protagonista-autor, Julia Louis-Dreyfus pintou em “Seinfeld” somente no primeiro episódio de 1990, como a liberal ex-namorada de Jerry – no piloto, considerado o “zero”, ela aparece como uma mal-humorada garçonete. Até hoje, Elaine é considerada um alento a feministas.

 

De fato, os personagens nada normais de “Seinfeld” mudaram a comédia. Desde 1998, quando o último episódio foi exibido para uma gigante audiência de 76 milhões, não foram poucos os filhotes dramatúrgicos de Seinfeld que aparecem, e o mais famoso deles provavelmente você já deve ter assistido alguma vez na vida: sim, é claro que falo de “Friends”, o grupo de amigos bonzinhos de Manhattan, que também fez época na televisão mundial nos anos 90.

 

“Seinfeld”, assim como a banda de rock Rolling Stones, influenciou em diferentes plataformas gerações e mais gerações de humoristas – no caso do grupo inglês, foram bandas de rock. A reprise de todas as temporadas pelo canal Sony foi uma das ideias mais lucrativas e manteve o quarteto na boca do público até os dias atuais. 

 

Com Larry David, em quem Jerry encontrou a inspiração para criar o personagem George, “Seinfeld” despontou como uma produção sobre o nada, sem compromisso de abordar temas com cunho político ou qualquer coisa do tipo. A ideia era apenas mostrar situações corriqueiras, como se fosse uma crônica sobre o dia a dia. Tudo sempre narrado pela perspectiva comicamente mesquinha e individualista do quarteto.

 

Rapidamente, a ideia rompeu clichês e agradou o público. Afinal, quem não curtia ver histórias que incluem coisas como comer sanduíche que caiu no chão, roubar vaga de carro, fazer piada com o cara que impõe exigências para pedir uma sopa, furar fila, enganar chefes, enganar ex, passar a perna na galera sem dó nem piedade?

 

Expressões como o “soup nazi”, do episódio que foi inspirado em sujeito que exigia que seus clientes tivessem métodos nada convencionais para pedir uma sopa, ainda está na memória coletiva dos fãs de comédia do mundo todo. Ter escolhido temas banais em detrimento à polêmica envolvendo questões políticas, embora ela tenha recebido críticas por isso, fez com que a série resistisse ao tempo.

 

Ainda hoje, “Seinfeld” merece ser vista pelo público. Poucas produções audiovisuais conseguem resistir ao tempo, sem deixar de ser interessante e sem perder a graça. “Seinfeld” conseguiu tal façanha.

 

Cinco episódios para conhecer a série
 

Um dos melhores da série: George é pego se mastrubando e, então, o quarteto faz uma aposta para ver quem consegue ficar mais sem se masturbar

 

A estreia da série norte-americana “Seinfeld” completou na última sexta-feira (5) 30 anos. Mesmo com três décadas de existência, a produção não possui todo o reconhecimento que merece. Pelo contrário. Poucas pessoas de fato conhecem o seriado que revolucionou a linguagem de sitcom no planeta e foi responsável pela disseminação desse gênero. Pensando nisso, o Jornal Metamorfose separou para você os cinco melhores episódios de “Seinfeld”.

 

- The Soup Nazi

 

É impossível falar da série nem mencionar este episódio. “No Soup for you” virou uma das frases mais famosas de “Seinfeld”. O quarteto de amigos descobre um restaurante que tem a melhor sopa de Nova Iorque, porém há um detalhe: o dono tem um temperamento esquentado e exige que seu público tenha métodos nada normais para pedir a famigerada sopa. Por isso, o sujeito é comumente chamado pelos amigos de “Nazista da Sopa”.

 

- The Contest

 

Um dos clássicos da série. E um exemplo de como Jerry Seinfeld e Larry David conseguiram burlar a censura da TV norte-americana ao falar explicitamente sobre masturbação sem fazer menção ao ato sexual. Neste episódio, o grupo realiza uma aposta para ver quem consegue ficar mais tempo sem se masturbar. Uma premissa engraçadíssima que rende diversas situações hilárias.

 

- The Chinese Restaurant

 

Provavelmente este é o episódio que mais traduz o espírito da série: o nada em absoluto. Toda a trama se desenrola em tempo real, com Jerry, Elaine e George aguardando para serem chamados em um restaurante. Uma situação comum do dia a dia que Jerry e Larry David conseguiram exprimir as melhores piadas e as mais improváveis. Do início ao fim, a diversão é garantida, e as gargalhadas, digamos, são necessárias.

 

- The Betrayal

 

Eis um exemplo de genialidade. O episódio começa com um conceito, no mínimo, instigante para uma sitcom: desenvolver o enredo da narrativa de trás para a frente.

Trata-se, sem o mínimo de rasgação de cera deste jornalista, de um dos momentos mais interessantes da televisão, com a história da viagem de Jerry, Elaine e George para um casamento na Índia. Kramer, por sua vez, tem de sobreviver ao desejo de vingança de um amigo. Muito bom!

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

November 21, 2019

November 19, 2019

November 18, 2019

November 18, 2019

November 11, 2019

Please reload

Posts Recentes
  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle

Apoie o jornalismo independente e contribua para que o Jornal Metamorfose continue a publicar.

Fale com a gente: sigametamorfose@gmail.com