Festival se consolida como referência no meio indie nacional

August 21, 2019

Crítica

Público pontua que maior parte dos frequentadores eram ‘brancos e elitizados’

 

Foto: Ariel Martini @arielmartini - Palco Natura Musical

 

No começo, lá pelos idos da década de 1990, ele era apenas um festival com a intenção de apresentar ao público novas bandas de um pequeno selo goiano de fitas cassetes. Hoje, com mais de 20 anos nas costas, é uma das marcas de maior destaque na cena indie nacional, e está longe de ser o suprassumo da resistência estética, musical e cultural, como é majoritariamente visto pela classe média/alta. O Bananada, com certeza, é o retrato da cena alternativa de Goiânia.

 

Vamos e venhamos: o line-up da 21ª edição do Bananada atendeu bem as expectativas. Pitty, Duda Beat, Baco Exu do Blues, Black Alien, Liniker, Edgar, João Donato e Tulipa Ruiz, Glue Trip e outros sons levantaram o público e, quem não fazia a mínima ideia da existência desses artistas, teve uma oportunidade de ouro para vê-los. Durante o show da cantora pernambucana Duda Beat fiquei estagnado, vendo-a emendar uma canção atrás da outra. 

 

Haja dor de cotovelo! E que descoberta! Enfim, o importante é destacar – antes de tudo – que a última semana foi intensa em vários aspectos. E ela não poderia começar de forma mais foda: com um puta showzaço do cantor pernambucano Otto, no Teatro Goiânia, no Setor Central. Dali até os três dias no Passeio das Águas, foram várias apresentações em bares e pubs da Capital, sempre com o objetivo de fazer pulsar a monótona cena cultural da capital goianiense.

 

Com o status de referência no cenário indie nacional, o evento é um dos maiores festivais de música do País e deixou há anos o rock de lado para trazer outros estilos ao line-up. Escolha interessante. Nomes como Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Nação Zumbi, Planet Hemp, Caetano Veloso, entre outros, já passaram em algum momento pelos palcos do evento, mas a galera que o frequenta parece estar mais preocupada com o estilo e o consumo do que com a música em si.

 

Por conta disso tudo, percebi algumas posturas nada louváveis do público e outras menos ainda que vinham por parte dos organizadores. Ora, como se dizer a favor das liberdades e diversidades e pagar uma mixaria para os que tramparam no balcão de chopps? É claro que você pode me lembrar que ninguém é obrigado a aceitar trabalho algum, porém acredito ser de extrema importância não fazer do discurso libertário um marketing de péssimo gosto.

 

Ouvi relatos também de que os trabalhadores que ficavam perambulando de um lado para o outro com o objetivo de ajudar a galera ganhava irrisórios R$ 100 em um jornada de trabalho que se estendia a 12 horas. É verdade que ninguém reclamou ou queixou-se do tratamento do papel dos organizadores. Talvez nem o mais capitalista dos patrões tenha sequer cogitado a possibilidade de botar algo desse tipo em prática, e os organizadores do Bananada o fizeram.

 

O Bananada, frequentado por uma galera que possivelmente voltará à região norte da cidade apenas no ano que vem, acerta ao apostar na diversidade sonora como carro-chefe, mas erra ao dificultar o acesso da imprensa aos artistas. Além disso, ouvi de algumas pessoas que foram ao festival reclamações de que ele estava muito “branco e elitizado” e era frequentado pela “burguesia” da Capital. O Bananada, definitivamente, é o retrato do meio indie/alternativo burguês de Goiânia.

 

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