“Libertem Hong Kong, a revolução dos nossos tempos!”

October 25, 2019

Protestos

Jogador é banido por um ano e perde prêmio em dinheiro por apoiar  protesto de Hong Kong

 

Foto: Reprodução 

 

 

O jogador profissional de Hearthstone, jogo de cartas da desenvolvedora Activision Blizzard inspirado na franquia World of Warcraft,  Chung “Blitzchung” Ng Wai, foi banido pela empresa por um ano e retirando o seu prêmio em dinheiro. O motivo? Após vencer uma das partidas na Grandmaster Champion, competição que reúne os 16 melhores jogadores daa Ásia-pacífico, foi entrevistado rapidamente pelos dois apresentadores do campeonato que não esperavam o ver vestido com uma máscara de gás e óculos de proteção, símbolos dos protestos em Hong Kong, e dizer “Libertem Hong Kong, a revolução dos nossos tempos!” durante o pronunciamento, os dois narradores se esconderam embaixo da mesa já esperando o que iria acontecer, e cortaram para os comerciais.

 

Após o ocorrido, Blitzchung, fez um pronunciamento sobre o seu envolvimento com os protestos de Hong Kong e sua decisão de se manifestar sobre o tema ao vivo:

 

Como você sabe, existem protestos sérios no meu país agora. Minha manifestação durante a transmissão foi apenas mais uma forma de participação dos protestos para os quais quero chamar mais atenção", escreveu. "Esforcei-me tanto nesse movimento social nos últimos meses que, às vezes, não conseguia me concentrar na preparação para as partidas de Grandmaster. Eu sei o que minha ação na stream significa. Isso pode me causar muitos problemas, até minha segurança pessoal na vida real. Mas acho que é meu dever dizer algo sobre o problema”.

 

 

Esses eventos desencadearam uma reação em cadeia entre os fãs dos jogos da Blizzard, acusando a empresa de censurar o jogador e aplicar uma pena extremamente dura. Os fóruns de discussão sobre o jogo, como o Reddit, foram inundados por imagens de apoio aos protestos e ao jogador. Eles até  utilizaram uma das personagens do jogo Overwatch, Mei, que é chinesa, a transformando em uma figura de protesto a favor de Hong Kong.

 

Um pequeno grupo de funcionários da Blizzard deixou a empresa como forma de protesto, segundo o site Daily Beast:

 

A ação da Blizzard contra o jogador foi decepcionante mas não surpreende”, disse um funcionário antigo da Blizzard ao Daily Beast. “ A Blizzard ganha muito dinheiro na China, mas agora a empresa está nessa situação esquisita onde não podemos defender nossos valores”.

 

 

Uma pequena aglomeração foi feita na frente da estátua de Orc na sede  da Blizzard. Sua maioria portava guarda-chuvas, simbolizando os manifestantes que os utilizaram em Hong Kong, para se protegerem de serem identificados por câmeras e pela polícia.

 

Um dos movimentos que acabou sendo criado por conta das atitudes da empresa foi o Gamers For Freedom, informando quais desenvolvedoras podem ou não censurar seus jogos por conta do mercado chinês e dando alternativas de outros jogos para substituir os títulos da Blizzard. Como por exemplo trocar Hearthstone por Gods Unchained, jogo similar quais os desenvolvedores apoiaram a manifestação política do jogador.

 

Para justificar o banimento do jogador, a empresa citou um dos artigos do regulamento do campeonato de Hearthstone Grandmaster:

 

"Envolver-se em qualquer ato que, pela discrição única da Blizzard, coloque você em descrédito público, ofenda uma porção ou grupo do público, ou de outra forma denigra a imagem da Blizzard resultará na remoção do Grandmasters e redução do prêmio do jogador para US$ 0, em adição a outras medidas que podem ser providenciadas por meio do Manual e Termos do Website da Blizzard."

 

 

Porém, após dias de pressão dos fãs, a empresa quebrou o silêncio e publicou um pronunciamento sobre o ocorrido via uma carta do seu CEO, J. Allen Brack, informando que o conteúdo da mensagem do jogador não foi um dos fatores para o banimento dele e que após pressão da comunidade, reduziu a punição do jogador para seis meses, ao invés de um ano. O mesmo tempo também foi reduzido para os apresentadores que se envolveram.

 

Esse não foi o único incidente relacionado a censura na china e os acontecimento de Hong Kong, na mesma semana a animação South Park foi banida em todo o território Chinês, com todas as menções apagadas da internet e buscadores. Por conta do episódio “Band in China” que abordou a repressão aos opositores políticos no país.

 

A polêmica não ficou apenas no desenho, o tuíte do executivo Daryl Morey, do time da NBA Houston Rockets, que se posicionou a favor dos protestos de Hong Kong, provocou críticas do governo da China. A NBA divulgou uma mensagem que lamentou a mensagem, mas logo voltou atrás dizendo que não pediria desculpas pelo tuíte e que não controlariam declarações de jogadores e dirigentes.

 

Os criadores de South Park, Matt Stone e Trey Parker, foram ao Twitter fazer um pedido de desculpas que só eles poderiam dar:

 

“Assim como a NBA, saudamos os censores chineses em nossas casas e em nossos corações. Nós também amamos dinheiro mais do que a liberdade e a democracia. Xi (Jinping) não se parece em nada com o Ursinho Pooh” Em referência aos memes que foram proibidos no país por compararem o personagem da Disney com o presidente Chinês Xi Jinping.

 “Vida longa ao Grande Partido Comunista da China! Que a colheita de sorgo deste outono seja abundante! Estamos bem com a China agora?”.

 

 

Os protestos de Hong Kong de 2019 começaram no dia 31 de março, exigindo a retirada do projeto de lei de extradição propostos pelo governo. O medo é que a lei faça a cidade se abrir ao alcance da lei chinesa e que os cidadãos fiquem sujeitas a um sistema legal diferente, prejudicando a autonomia da região e os direitos dos cidadãos.

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