• Victor Hidalgo

A arma biológica de Bolsonaro: o ministro da Saúde

Opinião

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é diagnosticado com covid-19

Marcelo Queiroga - Foto: Jefferson Rudy / Agencia Senado


Lembro-me dos discursos de Enéas Carneiro, do partido PRONA, sobre como o Brasil precisava ter uma bomba atômica. Na época, ninguém o levou a sério. Bom, pulamos para 2021, no dia 21 de setembro, na 76.ª Assembleia Geral da ONU com o discurso direto do zapzap do então presidente da república Jair Messias Bolsonaro, o não vacinado.


Qual a relação da comitiva do presidente com a bomba atômica de Enéas? Bom, os tempos são outros. E o que muitos grupos terroristas tentaram, mas falharam, Bolsonaro conseguiu executar com êxito: um ataque biológico contra todos os líderes mundiais ali presentes. A arma? O nosso excelentíssimo ministro da saúde, que após mostrar o dedo do meio revoltado contra as manifestações contra a ida do presidente a Nova York, se tornou uma bomba de covid ao ser testado positivo.


E como se não fosse o suficiente, o então covidário da saúde ainda postou em sua rede social, o Instagram, um stories negacionista da vacina e da utilização de máscaras.



Post da rede social do então ministro Marcelo Queiroga - reprodução


Queiroga-2021 consegue causar tanta repulsa quanto seu antecessor, o General da ativa Eduardo Pazuello. Mas é pior: ele representa uma classe médica que existe no Brasil. Cínico e irresponsável, pensa mais em manter sua cadeira de ministro, afagando Bolsonaro de todas as formas que puder, do que cumprir com o seu juramento de Hipócrates. No caso dele, o de Hipócritas.


E pensar que Bolsonaro comendo uma pizza ruim no meio fio das ruas de NY seria a maior humilhação desse ano. Não podíamos estar mais errados.


Pelo corte etário dos líderes, ainda mais Bolsonaro que insiste em não se vacinar (mas que provavelmente está vacinado) a chance desse evento causar a morte de algum deles não parece ser algo fora da realidade.


SPOILERS DE BORAT 2!


O presidente e sua comitiva fascista não deixa de surpreender a própria realidade. Em Borat 2, o jornalista do Cazaquistão acaba se tornando um vetor da covid-19, sendo o responsável pela pandemia que acometeu o mundo em 2020. Agora cortamos para o evento que reuniu o sinistro da saúde e parece que Sacha Baron Cohen se tornou mesmo o roteirista dessa distopia que se tornou o Brasil.


Queiroga vai ficar em isolamento por 14 dias, hospedado em um hotel em Nova York. Ele é o segundo membro da equipe do presidente testado positivo para covid.


Déjà Vu de 2020


Essa não é a primeira vez que a comitiva do presidente Bolsonaro (sem partido) se tornou um vetor de transmissão de covid-19.


Em 2020 três integrantes do grupo, que contavam com uma agenda bem cheia contando com visita ao então presidente Donald Trump, tiveram resultado positivo em testes de detecção do coronavírus: Fábio Wanjgartin, o então secretário de Comunicação Social da Presidência, o senador Nelsinho Trad e o embaixador Nestor Forster.


Na época, nenhum deles estavam vacinados. Supostamente como o presidente hoje.


O que esperar?


Segundo editorial do jornal O Globo de 19 de setembro, Bolsonaro tinha a chance de reparar a imagem do Brasil. Eu me pergunto em que Brasil eles estão vivendo em que seria algo remotamente possível? Enquanto os jornais ao redor mundo não tem medo de chamar esse governo do que ele é (o que é fácil também, já que não estão falando dos seus líderes), aqui seguimos com o morde e assopra daqueles que ajudaram a pavimentar o caminho para o genocida que ocupa o planalto.



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