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A bagunça do Brasil

Editorial

Manifestação #EleNão contra o candidato à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL), em Goiânia. 29.09.18


O bolsonarismo acelera sua cruzada ao obscurantismo. Deste que o ex-capitão expelido do quartel foi eleito, o Brasil assiste a um festival de horrores que não tem data para acabar. Detalhe, isso tudo em meio a maior pandemia em cem anos. Bolsonaro e sua gangue de milicianos estão com as mãos sujas de sangue, e pior: querem nos fazer acreditar que as instituições funcionam normalmente no País da (in)Justiça histórica.


Como se desgraça tivesse virado normal aqui por estas bandas, a vacinação contra a Covid-19 virou uma bagunça, além do general comandante da saúde ter sido avisado com antecedência sobre Manaus, e não ter feito nada para evitar a catástrofe. Viramos párias no cenário internacional e o Programa Nacional de Imunizações (PNI), em outrora bem-sucedido em realizar campanhas em massa, hoje reina em sua deficiência.


Em todo mundo, nossas campanhas se tornaram referência e por meio delas conseguimos erradicar a varíola e poliomielite, vacinando 18 milhões de criança contra esta moléstia em um só dia, 100 milhões de pessoas contra a H1N1 (que falta faz um governo!) em três meses, em 2018, e 80 milhões contra a influenza, no ano passado. Até a iniciativa para conter o surto de meningite nos anos 1970, época na qual o Brasil viva sob a ditadura civil-militar, foi colocada em prática pelo estado.


Ou seja, Bolsonaro adota uma política sanitária delinquente que passou há muito do tolerável. É mais que passada a hora de deixar de lado sua estupidez necropolítica e, ao menos, fingir capacidade e maturidade em liderar a nação diante do desastre da peste e da fome neoliberal, mas os fatos mostram que essa utopia não tem chances de acontecer. Os fantoches da morte vão seguir sua cruzada da destruição.


O páreo é duro: o presidente da República é um sujeito que não disfarça sua postura sabotadora acerca das medidas de segurança sanitária, tanto que na última semana o jornal Folha de São Paulo e a TV Globo revelaram o esforço negacionista do capitão e sua batota de tresloucados em torrar dinheiro público ao estimular o uso da cloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra o coronavírus.


Nossa expectativa é que o crivo da História lhes designará o louvável posto de assassinos profissionais, zombadores da vida, amigos da morte, praticante da política da morte, isto é, daquilo que o filósofo camaronês Achille Mbembe definiu como necropolítica: quando o estado escolhe, com base num recorte social, quem vai viver ou morrer. Tristemente é isso que vem sendo posto em prática no Brasil.


Em português claro, Bolsonaro e seus criminosos de estimação são fantoches neofascistas e ratos da caserna que deveriam ser impedidos de seguirem no comando do País, porém ele já deu um jeito de continuar no Palácio do Planalto. Sim, comprou o Congresso Nacional num escândalo de corrupção, bem à moda da “velha política”, que disse combater com afinco durante a campanha eleitoral de 2018.


Enquanto você lê este editorial, mais uma pessoa perdeu a vida por causa da Covid-19 e muitos outros estão lutando para vencer a moléstia. Além disso, já é notório a ruptura do Estado Democrático de Direito, com ataques a personalidades que se posicionam diferente do que pensa o governo e ousam tecer críticas a esse arremedo de presidente que temos. Sem esquecer da Abin paralela e os controles de dados da população.


Assim como na Hungria e Polônia, Bolsonaro aproveitou a pandemia para aniquilar a democracia liberal. É preciso vilipendiar que a equivocada tese de que os freios e contrapesos entre os poderes, da teoria escrita por Montesquieu em “Espírito das Leis”, estão em pleno funcionamento no Brasil: Augusto Aras e seus comparsas dão aval para Bolsonaro se encorajar a pôr em prática a mais delirante maneira de governar e não se mexe para dar andamento no julgamento no Tribunal de Haia.


Xô no descaso delinquente e na política assassina bolsonarista! Pela vacinação, pelo assistencialismo a nossa gente que passa fome e pela esperança de que isso tudo vai passar, fora Jair Bolsonaro! Você tem sangue nas mãos e é um criminoso contra a humanidade. Basta de incompetência, delinquência e má fé.



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