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A miséria de ser brasileiro

Editorial

2021: o ano da queda do neofascismo à brasileira?

Stencil em muro da cidade do Rio de Janeiro. Foto: Mauro Pimentel/AFP


Ô berço esplêndido, você prometeu que o teu filho não foge à luta. E ao morrermos antes mesmo de o levante popular chegar às ruas, como reagirmos às mazelas da necropolítica comandada pela sinfonia do seu Jair e sua gangue miliciana?


O Jornal Metamorfose deseja a todos muito ódio para este ano de 2021. Não há como ser diferente. Mas, fiquem tranquilos: motivos para alimentar a raiva contra o ímpeto mortífero guiado pela turma da farda verde-oliva não faltará no decorrer do ano.


A pandemia, ao contrário da mentira bradada pelo general da saúde, está longe de terminar. Ainda não fazemos ideia de quando retornaremos à normalidade, apesar de uma parcela endinheirada ter abdicado há meses do uso da máscara e renunciado à prática do isolamento social. Por mais otimista que o JM possa ser, nossa equipe não é alienada: a realidade vislumbra à frente um cenário triste.


Com um aspone anti-ciência no poder, o que podemos esperar de um ano que começa com mais de 190 mil mortos pelo novo coronavírus e mais de 7 milhões de infectados? Sem perspectiva de uma vacinação em massa, os trabalhadores seguem se arriscando cotidianamente. Transportes públicos lotados, hospitais e postos de saúde sem testes de Covid-19, sem leitos, equipamentos, máscaras...


A exaustão de quem trabalha na linha de frente no combate à pandemia, o fim do auxílio emergencial, a falta de emprego gerada pela crise econômica mais densa da história recente, tudo se combina em cansaço e desespero.


Mergulhados no cenário mais melancólico possível, a única esperança que temos para atravessar a tempestade da moléstia é a vacina. Contudo, é importante lembrar que até o início da pandemia ela não passava de um sonho distante. Boa parte desse drama, é verdade, deve ser creditado na conta do general incompetente que ocupa a saúde.


Ok, mas suponhamos que por um milagre a cabeça do pessoal da farda passe ser iluminada por ideias pró-ciência e o Brasil seja até o final do mês agraciado com uma campanha de vacinação, saiba que pelo menos 80% da população – ou mais, dependendo das estatísticas publicadas – ficará às mínguas do coronavírus.


De fato, não poderemos nos revoltar contra quem, no futuro, talvez daqui a cinco, dez, quinze anos, questionar a maneira com que permitimos que a criminosa desigualdade fosse acentuada na maior crise sanitária desde a Gripe Espanhola, experiência com a qual definitivamente não aprendemos nada. Tanto lá quanto cá, negacionistas se sentiram encorajados a salivar suas crenças delirantes que ceifaram milhares de vidas.


E sabe o que é pior? Assistimos a isso de braços cruzados, anestesiados pelo vírus negacionista e padecidos pelo espírito assassino dos decrépitos ocupantes do Planalto.


Entramos em 2021 com um milico expelido do quartel no “comando” do País. Enquanto tentávamos enxugar essas lágrimas, Bolsonaro e seus comparsas mergulhavam nas águas do mar de Praia Grande, litoral paulista. Todos gargalhavam, sorriam e abraçavam os idiotas que estavam ali contra as indicações das autoridades.


Se em 2020 vimos o país arder em chamas, destruição, censura, o que reserva esse novo ano que adentramos? Será que vamos suportar mais de dois anos de mandato de Jair Bolsonaro e seus comparsas fardados que tanto nos envergonham mundo afora? Será?


Não há outra saída: só o ódio e a radicalização nos darão longevidade.


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