• JM

Acaso

Doce Viagem

Deboche como resistência/Rosângela Aguiar, minha mãe, em nossa casa. Santa Teresa, Rio de Janeiro. 2020. Foto: J.L


Lee Aguiar


Já me entreguei sem perceber que era passageiro, e me perdi na magnitude imensa da expectativa. Nos silêncios da madrugada, me arrisco a perceber que entrego ao vazio o sentir das emoções, vividas, com todas suas cores e sabores.


Nunca entendi a perversidade humana quando se inibe no vasto medo no amar do agora. Eu te amo, amei entre olhares que se cruzam despercebido.


Não se convença no infinito. Nada é eterno, nem a própria realidade dos minutos. O tempo é tão relativo, você diria.


Gosto do sabor amargo do desejo. Me canso da saciação do tesão nas sincronias. Me permito trocar para além de um sexo robotizado. Não sou nada menos que uma pantera que se preze, parafraseando Florbela Espanca.


Quiçá, por tal motivo se assustam com meu espírito. A liberdade é um fardo da insensatez. Como libertar as almas desse afago medonho do se permitir amar os sentidos da vida?


Os discos do verão passado, com letras malditas de doses ácidas de uma repressão não esquecida, ressoam entre as mentes e olhares perdidos nas estrelas. Continuo a escrever linhas tortas de escarro.

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