• Júlia Lee

Alerta para a distopia opressiva

Sociedade

A prisão do criador do Wikileaks, Julian Assange, nessa última quinta-feira (11) é um marco de opressão contra a liberdade de imprensa e na luta por um mundo mais libertário

Foto do protesto contra a Ditadura, em São Paulo. Foto: Júlia Lee


Vivemos em uma conjuntura política que é representada pela ascensão da extrema-direita no mundo todo, o tempo histórico é profundamente marcado pelas ferramentas de controle social que o capitalismo desenvolveu e implementou nos últimos 50 anos. Ditaduras, torturas, censura à imprensa e controle político se transformou em controle midiático ostensivo pelo desenvolvimento da publicidade, com estudos de conduta social e controle do “tempo livre” do trabalhador.


A sociedade de consumo exacerbado com democracias burguesas imperialistas são a base do controle, suas elites são donas dos veículos de comunicação e as ferramentas globais se tornaram espionagem de cada parte da vida individual. O estado sabe de tudo, tem acesso a tudo, com câmeras espalhadas pela cidade que foram financiadas pela maior empresa de telecomunicação do mundo. O hacker ativismo é o novo cyberpunk que começou uma revolução dentro do anticapitalismo, pois soube acompanhar as transformações sociais que a internet impôs ao cotidiano moderno.


A prisão de Julian Assange é um marco do ativismo cibernético e da imprensa moderna, o criador do Wikileaks foi preso na última quinta-feira (11) na baixada do Equador em Londres. Após as últimas eleições feitas no Equador em 2017, com Lenín Moreno assumindo a presidência, a barganha internacional por Assange aumentou, não é atoa que ele está preso sob jurisprudência que fere a liberdade de imprensa e as liberdades individuais de livre expressão.


Afinal, como explicou Noam Chomsky em entrevista ao canal Democracy Now, “o que está por trás de todas essas negociações? Isso é verdade em todos os casos. Quase qualquer problema que você escolher, você pode se perguntar: porque isso é aceito? Então nesse caso, porque é aceitável que os Estados Unidos tenham o poder, até mesmo de começar uma proposta, para extraditar alguém cujo o crime é expor materiais ao público que as pessoas no poder não querem que eles vejam?”.


Já Edward Snowden comentou em sua conta no Twitter que a prisão de Assange “é um momento sombrio para a liberdade de imprensa”. A pergunta que não quer calar é: porque os veículos de comunicação de massa não estão falando sobre isso? Quiçá, nós jornalistas não trabalhamos para os veículos que pagam nossos salários, e sim para o público e os leitores que se informam por nossa causa. O jornalismo corre perigo e não é de hoje, temos diversas comprovações ao longo de nossa breve história, porém essa prisão é um aviso e um sinal bem claro do futuro para qual está encaminhando a sociedade moderna.


Será que a esquerda intelectual mundial percebeu que a luta de classes foi atualizada com a criação da internet? Como, nós enquanto esquerda, podemos lutar contra o capitalismo usando a ferramenta que transforma o mundo em um lugar sem fronteira ao nosso favor? A mercantilização de ferramentas revolucionárias pelo capitalismo se tornou debate urgente em todos os grupos que querem resistir contra o sistema.


A prissão de Julian Assange, ativista e criador do Wikileaks, é um aviso. Agora é a hora de se reorganizar e entender a seriedade que o momento histórico pede que tenhamos, pois a frente de luta é composta por pessoas como eu e você, que me lê nesse momento.