• Victor Hidalgo

Beyond the Borderlands 2: Um micro-cenário de D&D

Cultura

Campanha de financiamento coletivo arrecada fundos para RPG nacional

Imagem promocional de Beyond Boderlands - divulgação


Jogos de RPG (Role Playing Games) de mesa conseguem fazer algo que dificilmente iríamos conseguir ver em outras mídias: uma aventura interativa com mais de uma pessoa que vai se desenrolando com as ações que você, jogador, decidir serem melhores. Tudo com um mestre de jogo narrando e tomando os melhores rumos possíveis na história que ele criou para aquela mesa, e que provavelmente está sendo destruída pelos jogadores.


E o mercado nacional desses jogos? Bom, hoje vou apresentar à vocês uma campanha de financiamento coletivo que pretende trazer ao Brasil um cenário de RPG inovador.


Beyond the Bordelands 2 é um modulo de aventura inspirado em D&D que pode ser usado de base para os jogadores improvisarem suas aventuras. Mesmo com um plot já definido, o jogador pode usar o material para se inspirar em suas próprias campanhas de financiamento.


Essa é a segunda edição de uma série de três cenários desenvolvidos pelo ilustrador Alex Damaceno, e conta com um bestiário com 60 criaturas, 6 calabouços de 12 salas com encontros aleatórios.


O trabalho de financiamento coletivo é para a tradução dessa segunda edição, que já foi publicada no exterior pela empresa Swordfish Islands. E aqueles que apoiarem o projeto, mas perderam o primeiro financiamento, vão garantir a primeira edição junto com a segunda.


Alex Damaceno, ilustrador, afirma ao Jornal Metamorfose que o projeto começou como uma preparação de uma mesa de RPG, qual ele ia ser o mestre da mesa, ou seja, o responsável por criar a história e narrar os eventos da aventura. A experiência seria como o módulo antigo de Dungeons & Dragons, “The Keep on the Borderlands”, muito famoso entre o meio old-school por vir junto com a edição BX de D&D, cimentando como deveria ser a experiência dos jogos antigos.


“E eu gostei da estrutura dele, mas não muito do conteúdo, tem uma pegada muito colonialista. Aí eu comecei a preparar um material para mestrar para os meus amigos usando a estrutura do cenário, mas com um conteúdo próprio inspirado no original”, diz Alex ao JM.


Uma das preocupações de Alex era criar um cenário anticolonial, um problema recorrente nos RPGs. Segundo ele, no material original que ele se inspirou, a fortaleza representava uma força de lei no conflito entre “ordem contra caos” (ou civilização e barbárie), e era esperado que você, como jogador, se aliasse a eles e fosse matar e pilhar os monstros da ravina.


“A minha fortaleza é representada como forças invasoras e opressoras, nobres, religiosos e mercadores sem escrúpulos, os jogadores podem até fazer um serviço ou outro para eles, mas não são incentivados a serem leais, e eventualmente eles acabam sendo destruídos pela própria ganância. Acho que também consegui dar um tratamento mais respeitoso as criaturas da ravina, que é a dungeon do segundo zine”, explica Alex sobre o que resolveu mudar no material.


A arte que Alex se inspirou foi tirada de diversos video-games, segundo ele. O Cenário old-school aprecia ilustrações em preto e branco, e foi quando ele pensou em mudar o formato e apostar em cores vibrantes. Quando o primeiro zine estava sendo produzido, Alex explorou o potencial de mapas isométricos, o que cativou o público. Seu perfil passou rapidamente de cinquenta seguidores no Twitter para mil, e hoje conta com mais de três mil.


Calabouço ilustrado por Alex Damaceno - divulgação


Nesse meio tempo, um evento acabou mudando a vida de Alex e de sua família. “Eu estava desempregado há uns 5 anos e depois desse trabalho comecei a receber propostas de vários criadores independentes do exterior, desde então consigo pegar uns dois ou três trabalhos por mês”, explica o ilustrador.


Alex Damaceno é um autodidata, desenha desde que era criança e nunca fez nenhum curso de ilustração. “Comecei a aprender mais conscientemente depois que ganhei meu primeiro computador aos 15 anos e pude pesquisar tutoriais na internet”. Apenas recentemente ele pode comprar seus primeiros livros sobre o assunto, por conta do seu trabalho.


“Tenho mais dois financiamentos planejados para depois desse, o do terceiro zine que vai trazer uma mega dungeon procedural, e por fim uma edição revisada com capa dura e com os três zines mais o conteúdo inédito. Depois disso quero focar em cenários mais diferentes da experiência padrão de D&D como o Archon Ruins, que pretendo trazer pro pt-br quando tiver pronto e fazer um financiamento nacional dependendo do interesse”.


Você pode apoiar o projeto do Alex na sua campanha de financiamento coletivo, basta clicar aqui.

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