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Campanha "JM contra a censura" chega na reta final

JM contra a Censura

Campanha contra a censura chega na reta final, faltam 5 dias para o fim do financiamento coletivo para viabilizar a impressão de 1.500 cópias de uma edição que pontua as censuras ocorridas no Brasil em 2020

Arte: Olívia Lodi. Foto: J.Lee


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Além do apocalipse, da distopia escrota, 2020 foi um ano de censura. Começamos com o Secretário Especial da Cultura, Roberto Alvim, plagiando o nazista Joseph Goebbels, chefe da propaganda do Terceiro Reich. “A arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa [...] ou então não será nada”, afirmou Alvim no vídeo lançado em 16 de janeiro.

O pontapé inicial do ano foi com a consolidação de uma narrativa neonazista no governo federal. A cultura passou a enfrentar falta de investimentos, fim de editais e sucateamento de órgãos que deveriam primar pela valorização de nossa identidade. É a censura do capital, uma cópia mal diagramada dos fardados de 1964.

Já em julho, a namoradinha do Brasil, Regina Duarte, após uma passagem relâmpago pela Secretaria da Cultura, iniciou o amargo fim da maior instituição de cinema da América Latina, a sucateada Cinemateca Brasileira. Trata-se de um órgão essencial para conservar a história imagética do País desde o início do século 20, passando pelas pornochanchadas, pelo Cinema Novo, pela memória da pioneira TV Tupi...


Adeus história do cinema, das realidades contadas por um povo tão diverso em poesia gravada...

Como censura pouca é bobagem nesse (des) governo, a pandemia do novo coronavírus escancarou a tentativa óbvia de maquiar os números de óbitos oficiais pelos aspones de farda verde-oliva e civis a serviço do Tio Sam. Apesar das críticas e de mais de 160 mil mortos por descaso público, a subnotificação corre solta com a morte dos indígenas Yanomami e Ye’kwana, na maior terra de povos originários do planeta, que está vulnerável ao vírus pela presença de 20 mil garimpeiros ilegais em suas terras.

Com a chegada das eleições para prefeito e vereadores, sobrou até para internautas. O youtuber Felipe Neto, o candidato à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (Psol), e a deputada federal Sâmia Bonfim (Psol) foram denunciados no Supremo Tribunal Federal (STF) por tweets em suas redes pessoais criticando o presidente Jair Bolsonaro. Na denúncia, o alvo de histeria é o movimento “antifa”, ou, antifascista, que é representado como um ato de violência contra à nação e às liberdades dos neofascistas.

Além disso, Patrícia Campos Mello - repórter especial do jornal Folha de São Paulo - foi exposta e agredida pelo gabinete do ódio por reportagens que denunciavam o esquema fraudulento nas eleições de 2018. “Minha vontade é de encher sua boca de porrada”, respondeu o presidente a um jornalista que perguntava o que o Brasil inteiro quer saber:


Por que a sua esposa, Michelle Bolsonaro, recebeu 89 mil reais de Queiroz?

Filho 01 do molambo que se faz inquilino do Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (Republicanos) entrou com pedido no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para impedir que a TV Globo divulgasse documentos referentes ao caso de esquema das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A aristocrata da toga, Cristina Serra Feijó, aceitou o pedido e censurou a maior emissora de televisão da América Latina.

Em setembro, no período mais crítico da estiagem no centro do País, a boiada se espalhou com o fogo criminoso colocado no Pantanal, Cerrado e Amazônia. E sabe o que aconteceu? O vice-presidente Hamilton Mourão tentou mascarar os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) sobre as queimadas, e ainda teve o diretor geral do Inpe sendo exonerado e tentativas explicitas de distorcer os dados divulgados.

Ainda teve a fatídica reunião ministerial do dia 23 de abril, quando o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, avisou que ia “passar a boiada” durante a pandemia. E o ex-ministro da educação, Abraham Weintraub, com seu ódio contra os povos ciganos e indígenas? No entanto, esse amargo na boca fica para o impresso.

Os fatos são sinais. Nós jornalistas estamos farejando o cerco que se fecha no ar, aos poucos. A cada dia que passa, há menos liberdade. É uma movimentação constante e sabemos, sentimos e pontuamos: vai piorar. É dentro deste contexto nebuloso que o Jornal Metamorfose lança a campanha “JM contra a Censura”. Precisamos reunir os passos dados em direção ao autoritarismo que pulsa ódio pelas liberdades e, pior, quer o controle sobre a narrativa da realidade.

É um revival da trupe que empurrou o Brasil para o precipício de 1964 a 1985, e nós do JM, não negamos que eles estejam aí. Precisamos nos preparar para o que virá, por isso propomos um jornal impresso que contenha reportagens, charges, fotografias e artes que escarrem a verdade sobre a censura em 2020. Bolsonaro é autoritário e os militares já estão no poder.

Estamos na reta final de nossa campanha, temos 5 dias para arrecadar o dinheiro necessário para a impressão e distribuição. Não arrecadamos nem a metade do valor, precisamos muito de você, caro leitor. Com R$ 4.000,00, vamos imprimir e distribuir gratuitamente 1.500 cópias do "JM Contra a Censura". Disponível nacionalmente em bancas de jornal alternativas, bibliotecas públicas, coletivos ativistas e espaços culturais, nas capitais, periferias e interiores de todos os estados brasileiros.  Precisamos de você para espalhar informação de forma que conscientize e unifique o maior número de pessoas, só assim poderemos fazer frente à censura que nos assola.  


A primeira edição do Jornal Metamorfose, impressa, será no formato tabloide com 16 páginas distribuídas entre as editorias de cultura e política sobre a censura em 2020. É preciso, portanto, encarar a realidade.


Encará-la de frente, e se perguntar: e quando a censura piorar?

Assim como os jornais da chamada imprensa nanica - Lampião da Esquina, O Pasquim, Movimento, Coojornal, Opinião e tantos outros que são narrados no livro “Jornalistas e Revolucionários” do jornalista Bernardo Kucinski -, precisamos marcar a memória coletiva. Através de publicações impressas variadas, como zines, revistas, jornais e folhetos conseguimos analisar um tempo histórico. Em tempos de censura na web, o que teremos no futuro como referência a esse tempo tenebroso?

A iniciativa do Jornal Metamorfose tem como objetivo fazer contraponto sobre a narrativa hegemônica de nosso tempo. Se a grande mídia não estampa nas capas cotidianas que Bolsonaro é um fascista autoritário e mentiroso, nós iremos.

Conte com o JM, não vamos nos calar.


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RECOMPENSAS


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* Periferia e movimento estudantil presentes! - 125 (dois exemplares para você + três exemplares doados para coletivos periféricos + livro de brinde)

* Paladino contra a censura! - 300 reais (seu nome na contra-capa do JM contra a censura + quatro exemplares doados para coletivos periféricos)


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