Cidadão politizado

August 5, 2019

Artigo de Opinião

 

O escritor goiano Ronaldo Marinho apresenta esta análise de conjuntura nacional ao Jornal Metamorfose

 

 

 

Foto: Reprodução

 

Cabe aos cidadãos organizarem-se elencando objetivos e interesses comunitários. O Estado e o Governo necessitam de acionamentos através de petições oriundas dos movimentos representativos de classes; organizações não governamentais, coletivos, sindicatos e associações. No Brasil, atualmente, dados oficiais sinalizam mais de 13 milhões de desempregados, 7 milhões de famílias sem acesso à casa própria, e os indicadores da violência urbana e rural apresentam índices escabrosos.

 

Não há mistério, a solução para os perrengues sociais está no acesso justo à renda, emprego e a educação realmente de qualidade. Livrando-nos de aberrações tipo “escola sem partido”, “future-se” ou daquelas que repreendem o ensino relacionado à sexualidade, nas salas de aulas. Precisamos nos distanciar de militantes psicóticos que procuram, utilizando ovos, provas de que a Terra é plana. Figuras repressivas que impõem através de falácias e medidas arbitrárias mecanismos para desmoralizar as ciências. Gente que dispensa desprezo público às instituições fomentadoras de arte e cultura.

 

Destaco a importância daquele tipo de instrução e aculturamento que realmente insere a pessoa à vivência social plena, tornando-a empreendedora, combativa, consciente de seus direitos e deveres. Elegemos um Presidente da República desarticulado e complacente com a desigualdade social. Sequer confeccionou um plano federal de governança. Estamos à deriva, sem rádio, bússola e sem bandeira vermelha.

 

Em março de 2019, o presidente Bolsonaro através de uma canetada instituiu a Medida Provisória nº 873 de 2019 onde determinava que a contribuição sindical fosse paga por meio de boleto bancário, após manifestação individual e por escrito de cada trabalhador. Uma serie de condicionantes para dificultar a adesão do empregado. Ainda bem que MP’s têm vigência por apenas 120 dias, e essa não passou no Congresso Nacional. Os sindicatos representam forças na luta contra o sistema de opressão e escravidão assalariada. Enquanto isso, os donos do capital, e meios de produção, engajam-se na defesa de seus interesses. Os banqueiros permanecem navegando em lucros extraordinários.

 

Foto: Júlia Lee

 

O excesso de informação atribula, e ainda a confundimos com conhecimento. Temos urgência em aprender o uso consciente e produtivo da tecnologia da informação e comunicação. Como dica, sugiro documentários extremamente esclarecedores disponíveis na internet, como o canal (Youtube) “Buenas Ideias” do jornalista Eduardo Bueno. Contamos com literatura relevante e bem produzida, para entendermos a formação e o sentido do Estado; como o livro “O Povo Brasileiro” do escritor Darcy Ribeiro. São fontes que contribuem para desalienação.

 

O obscurantismo está entre nós, embutido em quase tudo. A lenha que alimenta essa fogueira é o revisionismo da história. A máquina governamental nega a ditadura militar, entre 1964 a 1985. Observamos o líder da nação relativizando as torturas ocorridas no período e promovendo piadas preconceituosas.

 

Caminhando pelas cidades avistamos condomínios inacabados do programa “minha casa, minha vida”, criado no governo Petista. Abandonados às intempéries e ao olhar frustrado do trabalhador que destina quase 40% de seu salário para o aluguel, às vezes, residindo em áreas condenadas pela Defesa Civil. Violentado em sua dignidade. Alguns jovens tentam reagir à esta agressão, através da criminalidade, e são abatidos pela polícia, que ao invés de oportunizar a segurança, concretizam execuções.

 

A atitude mais vultosa desse governo, até o momento, é a reforma da previdência, que fortalece aspectos desfavoráveis à qualidade de vida do trabalhador de menor poder aquisitivo, em sua maioria, negros. Em seguida, teremos a reforma tributária que também irá lançar lavas de muita tensão sobre o solo mosaico. É importante que ocorra a reforma política. De denúncia em denúncia, de crise em crise a situação de marginalidade e pobreza permanece intacta. Devemos articular e revestir-nos de postura combativa.

 

Em 2018, saboreamos a paralisação nacional dos caminhoneiros, cito o ocorrido como evento positivo. Notabilizou-se o poder do cidadão, organizado em entidades, para exigir direitos e representatividade perante o Estado, governos e empresários. É recompensador o enfrentamento em debates e mobilizações. O povo exercendo a política no cotidiano. Brasileiros desempregados, no subemprego, em trabalhos informais, em situação de rua, e os estudantes devem se insurgir na busca da justiça social. Eu disse: Insurgir!

 

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November 11, 2019

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