• Marcus Vinícius Beck

Cinema engajado

Mostra

‘Projeções’ reúne cinco premiados filmes de diferentes estados brasileiros. Produções provocam discussões sobre produção audiovisual contemporânea

Cena do premiado longa-metragem ‘Baronesa’ - Foto: Divulgação/ Itaú Cultural


O cinema está vivo. E continua retratando a realidade e embevecendo o público com a linguagem da arte. Entre hoje e o dia 19 deste mês, o Itaú Cultural abre no universo virtual a mostra Projeções – Cinema Brasileiro Contemporâneo. Os filmes que fazem parte da programação inspiraram o curso EAD Projeções – Linguagens e Processos Criativos no Cinema Brasileiro Contemporâneo, que está disponível para o público no site da entidade. Ao todo, são exibidas cinco produções que dialogam com a auto-ficção, além de documentários políticos e gêneros da nova vertente cinematográfica.


Com curadoria de Moira Toledo, coordenadora do curso EAD Projeções ao lado de Renato Druck, a mostra apresenta cinco filmes premiados em festivais nacionais e internacionais. As produções despertam um olhar crítico sobre as produções brasileiras dos últimos anos. “Uma mostra online focada na produção audiovisual recente do Brasil já teria por si um papel importante de colocar em pauta os principais temas que tem sido abordado no sentido daquilo que vem sendo problematizado pelas principais gerações que fazem cinema no nosso país”, diz Toledo ao Jornal Metamorfose.


As produções, que alternam entre longas e curtas-metragens, despertam um olhar crítico sobre os filmes rodados no País nos últimos anos, propondo uma discussão sobre temáticas comuns e necessárias à sociedade brasileira. É o caso, por exemplo, de “Baronesa”, vencedor da categoria Melhor Filme na 20º Mostra de Cinema de Tiradentes de 2017. Produzido pela cineasta mineira Juliana Antunes, a obra narra o cotidiano de pessoas que vivem em comunidades periféricas de Belo Horizonte (MG). A película situa o espectador em um contexto de vulnerabilidade social.


“São filmes que tiveram pouca visibilidade nacional para além dos festivais. Então a gente tem uma expectativa que, com essa mostra, muita gente que ouviu falar desses filmes e ficava curioso para conhecer o “Café Com Canela”, ver “O Corpo Elétrico” e assistir ao “Baronesa”, que ouvia falar desses filmes premiadíssimos em grandes festivais, finalmente terão acesso a eles com qualidade e com respeito aos direitos autorais. É um momento em que essa democratização permite um acesso a pessoas que de outra maneira não teriam”, afirma a curadora da Mostra ao JM.


Já “Café com Canela”, longa baiano dos cineastas Ary Rosa e Glenda Nicácio, mostra o reencontro de duas amigas em meio às suas adversidades do passado. Depois de perder o filho, Margarida vive isolada da sociedade, enquanto Violeta leva uma rotina cheia de dificuldades e marcada por problemas de outrora. O filme, exibido em festivais renomados no mundo, como 47º Festival Internacional de Rotterdam - Holanda, o 22º Festival Ecrans Noirs - Camarões e a 3ª Mostra Internacional de Cinema da Cova da Moura ­África e suas Diásporas, retrata as transformações pela qual a vida de ambas passa.


“Essa produção brasileira dos últimos anos tem um caráter militante, um caráter político, uma expressividade muito grande de mulheres, de homossexuais, de pessoas de diferentes identidades de gêneros, de pessoas pretas, pessoas pardas, de indígenas”, explica a curadora. Segundo ela, a diversificação de lugares de fala no cinema brasileiro produzido nos últimos anos é uma característica marcante. “Todo mundo tem seu lugar de fala, mas hoje a gente ouve vozes que durante anos a gente não teve oportunidade de ouvir”, explica Toledo.


Outros filmes


“Branco sai, Preto fica”, do brasiliense Dirigido por Adirley Queirós, aborda uma realidade cotidiana de segregação racial nas comunidades brasileiras. Um rapaz chega para investigar uma tragédia e tenta provar que a culpa do crime é da sociedade repressiva. O filme abocanhou o prêmio de melhor longa pelo Festival Internacional de Cinema do Uruguai e, na mesma categoria, no Festival de Mar del Plata, além de ter levado para a casa o júri popular do 47º Festival de Brasília, que o elegeu como Melhor Filme, Melhor Direção de Arte, Melhor Montagem e Melhor Captação de Som.


Dirigido pelo mineiro Marcelo Caetano, “Corpo Elétrico” traz a história de um jovem que equilibra seu cotidiano entre o trabalho em uma fábrica de vestuários e encontros casuais com seus colegas de labuta. Ao chegar o verão, o protagonista, Elias, tenta se desligar de sua rotina pesada imposta pelo capitalismo. Na fábrica, a correria aumenta à medida que o fim do ano se aproxima. Após mais uma noite fazendo hora extra, ele e os operários decidem sair juntos para tomar uma cerveja, e a partir desse encontro fica claro que há em comum entre esse grupo muito mais do que se imagina.


Ambientado em São Paulo, o curta-metragem “Peripatético”, dirigido por Jéssica Queiroz, conta a história de três jovens moradores da periferia e como eles se preparam para o início da vida adulta. Enquanto Simone está à procura do seu primeiro emprego, Thiana estuda para prestar o concorrido vestibular de medicina. Então, um acontecimento histórico na capital paulista, em maio de 2006 – quando a cidade vivia um tenso, caótico e assustador dia durante uma onda de ataques do crime organizado contra alvos policiais – muda o rumo de suas vidas para sempre.


SERVIÇO:


Mostra Projeções - Cinema Brasileiro Contemporâneo

Quando: De 5 a 19 de outubro

Onde: Itaucultural.org.br

Gratuito