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Com 3 bilhões a gente aniquila o Brasil

Editorial

Eleição para o comando do Congresso tem cheiro de autoritarismo

Arthur Lira (Progressistas/AL), Jair Bolsonaro (sem partido) e Rodrigo Pacheco (DEM/MG) se encontraram após posse oficial - Foto: Marcos Corrêa/PR



Pela terceira vez em menos de dez anos a esquerda sofre uma espécie de golpe, desta vez na Câmara de deputados. Foi feita a aposta do PT no candidato Baleia Rossi (MDB) contra Arthur Lira (Progressistas), enquanto o PSOL lançava sua candidata Luiza Erundina para se firmar como oposição, apesar de discordâncias do partido que vieram à tona. Bom, o resultado? Bolsonaro soltou 3 bilhões de reais em emendas parlamentares para os deputados do centrão. Os partidos que tinham prometido apoio a Baleia, como o PSDB, trocaram de lado sem pestanejar, elegendo Lira no primeiro turno com 302 votos.


A preocupação agora é com o que pode ser aprovado na gestão de Lira. Um candidato para presidente da Câmara ganhar com uma esmagadora diferença de votos é preocupante pelo simples fato de darem mais do que a maioria necessária para passar todos os projetos do governo. Recentemente, uma lista de 35 itens prioritários foi passada para Lira, dentre elas, a excludente de ilicitude do ex-ministro Sérgio Moro e a legalização do garimpo em terras indígenas.


E claro que teve festa! Ora, porque não teria? Não estamos passando por uma pandemia que já deixou mais de 230 mil mortos no último ano... Tem que ter a festinha dos deputados, com participação inclusive de Joice Hasselmann, que se dizia oposição na Câmara. Mas quem resiste a uma boquinha grátis? Ainda mais em Brasília.


O que faltou para a esquerda? Já sabiam que não tinham como engatar um candidato próprio que pudesse ganhar, tentaram seguir o caminho democratico do diálogo e da razão para políticos que claramente valorizam muito mais um cheque gordo do que a vida de seus eleitores. O resultado? Outro golpe.


Os próprios deputados de "oposição" na Câmara viram que esse imbróglio é uma prévia do que pode se desenrolar na eleição de 2022. Uma "frente ampla" formada por partidos que estão mais que dispostos a dar uma facada nas costas da esquerda quando ela menos esperar.


Talvez essa derrota tenha dado o impulso necessário para movimentar as esquerdas e acordar suas lideranças. PT já está indicando Fernando Haddad como candidato para começar a fazer sua campanha. A escolha gerou polêmica, mas eles não iriam deixar o candidato que foi para o segundo turno na última eleição de fora. Agora é assumir a direita como adversária a ser combatida do que possível aliada contra Bolsonaro em 2022, a luta continua.



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