• Victor Hidalgo

Death Trash: Pós-apocalipse cronenbergiano

Cultura

Demo do RPG se destacou no festival da Steam

Capa do jogo Death Trash - divulgação


Sempre gostei muito de cenários pós-apocalípticos, ainda mais quando esses são trabalhados dentro do mundo dos jogos. Um dos meus títulos favoritos dentro desse gênero é Fallout, só que mais os dois jogos originais lançados pela Interplay nos anos 90. Eu sinto que eles captaram uma certa desolação e uma beleza grotesca de um futuro com uma estética retrô-futurista, mas com alguns aspectos lovecraftianos. Algo, que na minha opinião, se perdeu nos jogos da Bethesda, com rara exceção à Fallout: New Vegas, desenvolvido pela Obsidian.


A forma que esse gênero trabalho com questões críticas ao capitalismo, e ao imperialismo estadunidense, sempre foram grandes atrativos para mim. Colocando uma lupa cínica em cima dos credos dos americanos, expondo como tudo aquilo é ridículo. E eu sinto falta de jogos que trazem essa mesma sensação e abordagem à história. Mas tem um que me chamou a atenção no meio do mar de demonstrações que foi a Steam Game Festival, e que pode ser uma joia rara no meio, abordando essas questões que tanto gosto. Conheçam Death Trash: um rpg pós-apocalíptico com muito humor e um mundo cronenbergiano vasto a ser explorado.


Começo esse texto citando Fallout por conta do começo de Death Trash ser similar aos jogos clássicos da franquia. Você acorda em um bunker subterrâneo e é confrontado por algumas figuras sinistras, um pequeno grupo de robôs humanoides grotescos, como se fossem feitos de traços irregulares. Eles te informam que você infelizmente tem que deixar o Habitat, porque está com uma aflição desconhecida. Mas que é livre para sair e viver no mundo lá fora. Te entregam alguns mantimentos, uma arma e uma nota explicando a sua nova situação. Curiosamente, em uma parte dessa carta está escrito: Não se reproduza.


E assim começa sua nova aventura, saindo para um mundo que logo de cara te choca. Existe carne por todo lado. Sim, CARNE. Saindo do chão e crescendo por todos os lados, como arbustos e árvores. Bulbos rosados pulsantes e quentes ao toque, além de algumas pequenas criaturas rastejantes que parecem sair desse terror amorfo. E então, você encontra ele: O Kraken de carne. Uma criatura que ocupa toda a parede de uma colina, com um grande olho te observando e tentáculos como raízes saindo para o chão. Ele tem um cuidador, que pergunta de onde você veio e sugere que converse com a coisa.


E essa conversa ocorre, o Kraken de carne quer que você encontre amigos para ele. Sim, isso mesmo. Ele quer amigos, uma criatura gigante feita de carne que mal conseguimos distinguir o que é… quer amigos. Bom, essa é sua primeira missão no jogo, e não vou dar muitos spoilers do que acontece em seguida.


O jogo tem uma pixel art linda, com um cenário quase isométrico que emula uma profundidade que os clássicos dos RPGs dos anos 90 tinham. Mas esse jogo tem muito mais ação, o combate é ativo e demanda um pouco de habilidade do jogador, me lembra uma mistura de Hotline Miami com Zelda, tudo isso com muita estratégia envolvida e posicionamento para os ataques.


Cena próxima ao final da demo - divulgação


Uma coisa curiosa é como ele mistura gêneros diferentes sem parecer uma bagunça. Ao mesmo tempo que é um jogo de ação e exploração misturando elementos de RPGs clássicos, ele consegue brincar um pouco com a narrativa e com o cenário, com vistas grotescas e divertidas.


A inspiração que mais me salta aos olhos o tempo todo é Fallout, até a forma de navegar no mapa de mundo aberto é similar aos clássicos da Interplay. E conforme o seu personagem anda, pontos de interesse podem aparecer na tela, indicando um local para ser explorado.


O jogo dos desenvolvedores alemães da Crafting Legends promete muito, e jogar essa demo só me animou mais ainda de adentrar nesse mundo pós-apocalíptico habitado por criaturas e personagens bizarros (eu nem falei do velho pelado do começo do jogo). Realmente uma jornada suculenta nos aguarda.


Death Trash ainda não tem data de lançamento, mas vai entrar em acesso antecipado esse ano pela Steam.


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