• Júlia Lee

XVIII

Doce Viagem


Transmutar para desapegar da mulher que um dia fui. Do que seria a vida se não o eterno renascer? Quiçá Baudelaire estava certo, a vida é simplesmente experienciar a realidade de acordo com o que você realmente acredita.


Me pego refletindo sobre a felicidade que me é roubada pela angústia social, como fugir do gosto amargo que insiste em penetrar minhas entranhas?


Qualidade de vida é também escolher hábitos energéticos. Escolher viver para lutar por algo que é inacessível, compreender que o novo também vem do amor próprio e autocuidado.


Como você se sente consigo mesmo não é algo que está a venda.


É impor vitória na luta interna que somos obrigados a travar, é usar o ódio do absurdo como combustível para suportar o dia a dia.


Me sinto no momento de permitir que o amor em mim flua, quero agradecer ao meu corpo e as lutas que venci comigo mesma. Guerreira, transmutadora. Não cedo ao poder dos outros sobre mim.