• Lee Aguiar

Dos acasos que me emocionam

Doce Viagem

Querido amigo Dudu Marella, em algum momento entre setembro de 2019 em meu antigo apartamento de Santa Cecília em São Paulo.



Meu problema é o exagero.


Tudo o que sinto se transforma em um mar revoltoso de realidades que se misturam em sensações distópicas e dramáticas. Quiçá, eu seja teimosa com minhas ilusões.


Me encontro na beira de um abismo que marca o drama de minha existência. Nunca tive medo de amar e continuo não tendo. Nos meus piores pesadelos o que acontece não é o abandono, mas a loucura que me habita extrapolar a linha tênue de uma lucidez tão difícil de manter serena.


Ao me transbordar de você, me encontro sufocada com um amor que nem existe. Já me convenci de que o futuro pertence à deus dará. Nada posso fazer para construir aquilo que nunca quis, não aceito me prender por conta própria, não vivo em cárcere.


Me deixei levar pelos olhares doces, os beijos quentes e os toques fervorosos. Meu problema é o exagero. Aos poucos percebo que na realidade transfiguro aquilo que sonho acordada em depósitos de expectativas frustrantes e irreais, sem nem saber porque sou tão maldosa comigo.


Fico tanto tempo me perguntando quais são os desejos outros que me transpassam que esqueço o que sou por inteira. Tenho essa mania feia de me perder em mim quando misturo com o outro, você maré mansa e eu maremoto. Eu me afogo cotidianamente em mim mesma.


Já não sonho com amores irreais e muito menos busco por tais relações, deixo me acontecer, seja com quem for, sempre estive aberta ao acaso. Amo amar e não me canso do amor.


Meu coração grita, berra, implora por verdades malditas de um sentido irreal daquela ilusão boba que criei. Ora, o que eu poderia esperar? Nem a poesia é o suficiente para explicar aquilo que realmente acontece em tantas tempestades internas. Já não tenho mais palavras, sílabas ou vogais que representam tais mudanças. Não sei como me explicar. Não sei o que quero nem o que busco.


Escrevo para não esquecer de mim.

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