• Rosângela Aguiar

Livro do cineasta russo Dziga Viértok é lançado durante 17a Cineop

Ouro Preto

O início da tarde de domingo foi dedicado ao lançamento de livros, como “Cine-Olho: Manifestos, Projetos e Outros Escritos” de Dziga Viértov

Dziga Viértov. Foto: Divulgação


A mostra é de cinema, mas também teve lançamento de livros sobre o tema. O início da tarde de domingo, 26, foi dedicado ao lançamento de 35 livros, sendo 26 impressos e 9 e-books, que estão disponíveis no site www.cineop.com.br.


Entre os lançamentos, um dos mais esperados foi o “Cine-olho: Manifestos, projetos e outros escritos”, do cineasta Dziga Viértov, uma versão com a tradução, apresentação, organização e notas de Luis Felipe Labaki.


“A importância do livro é ser a primeira coletânea de textos do Dziga Viértov em português, sendo a primeira no Brasil, com tradução feita diretamente do russo feita por mim”, conta Luis Felipe Labaki. Outro livro que chamou a atenção foi “O negócio do filme - a distribuição cinematográfica no Brasil 1907-1915”, de Rafael de Luna Freire com co-realização da Cinemateca do MAM e da PPGCine-UFF.


Luiz Felipe Labakai com o livro. Foto: Leo Lara/Universo Produção


Foi um momento de pausa nos filmes para ouvir os autores falarem sobre os livros. “O Dziga Viértov é conhecido no Brasil desde os anos 20, tinha uma ou outra matéria falando dele, mas os filmes circularam pouco até os anos 60 e os textos dele circularam muito pouco mesmo, cerca de oito ou dez textos”, conta Luis Felipe Labaki.


Agora os cinéfilos poderão conhecer um pouco mais da história e trajetória do cineasta russo Dziga Viértov com o livro “Cine-Olho: Manifestos, projetos e outros escritos” que tem mais de 90 textos entre manifestos, falas públicas, roteiros, projetos de filmes, um ou outro poema, uma ou outra carta, que desnudam a trajetória biográfica e criativa do Viértov.


“A minha ideia como organizador foi deixar o menor número possível de pontos cegos. Ter pelo menos um texto representante de cada momento da trajetória do Viértov que é bastante longa. Ele começou no cinema em 1918 e faleceu em 1954 ainda em atividade, trabalhando”, explica Luis Felipe Labaki ao Jornal Metamorfose.


O livro é fruto do trabalho de mestrado, período em que ele se debruçou sobre as edições dos textos de Viértov que existem na Rússia. “O livro se baseia na edição dos mais novos textos publicados na Rússia em 2004 e 2008 em dois volumes. Tem tradução de parte desses textos, mas também tem documentos que não foram publicados nem mesmo na Rússia que eu identifiquei durante minhas pesquisas”, ressalta o escritor.


De acordo com Labaki nunca houve um volume de textos tão grande traduzido para o português, incluindo escritos dos anos 60 na União Soviética e censurados naquela época. O processo de organização do livro durou uns 4 anos.


Os textos estão em ordem cronológica, com uma introdução que contextualiza, explica o período e acontecimentos na União Soviética e no cinema soviético quando os textos foram escritos. “A minha ideia foi, além de contextualizar as obras, mostrar a partir disso porque ele escreveu e quais as questões estavam envolvidas em cada momento”, informa. Além de textos, o livro ainda tem 100 fotos e documentos cedidos pela Cinemateca Austríaca.


Distribuição de filmes é um problema antigo


No livro “O negócio do filme - a distribuição cinematográfica no Brasil 1907-1915” de Rafael de Luna Freire com co-realização Cinemateca do MAM e PPGCine-UFF. O livro surgiu do pós-doutorado feito durante a pandemia na Universidade Federal de São Carlos. “É um estudo inédito sobre a distribuição de filmes no Brasil, e que aborda desde a criação dessa atividade em 1907, mesmo período do surgimento do mercado cinematográfico brasileiro e o surgimento das primeiras salas fixas de cinema”, explica.


Para o autor, é preciso entender um pouco o mercado cinematográfico a partir do viés da distribuição para também entender os desafios enfrentados até hoje. “Desafios que passam por alimentar a produção, atrair o público e ampliar o acesso ao cinema em todo território brasileiro”, alerta.


O livro une uma abordagem econômica com a abordagem histórica e cultural na atividade cinematográfica brasileira. “Também localizado nos primórdios do mercado cinematográfico, uma situação que existe até hoje de domínio do nosso mercado por filmes importados. Primeiro os filmes eram importados da Europa, em especial da França, agora é principalmente dos EUA. Esta situação está na origem do surgimento do mercado de distribuição", afirma o autor.


“O início da atividade de distribuição não tem a mesma valorização se comparada a exibição, a produção, o estúdio, mas que é fundamental para o desenvolvimento do mercado cinematográfico brasileiro. O livro busca identificar quem foram esses distribuidores, como os modelos de negócios foram criados, as práticas que envolvem a distribuição como propaganda, transporte das cópias, programação”, explica.





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