• Júlia Aguiar

“Mãos ao alto, esse aumento é um assalto”

Manifestação

Aumento da passagem de trens e barcas provoca manifestação na capital, piquete sofreu com pressão policial mas ato seguiu de forma pacífica

Ato contou com pressão de aparato policial desproporcional para o número de manifestantes, 01.02.2021 - Fotos: J.Lee


No fim da tarde da última segunda-feira (1), um grupo de 50 manifestantes se reuniram em frente a Agentransp, no centro do Rio de Janeiro, para protestar contra o aumento das tarifas de barcas e trens. Grupos diversos de estudantes e trabalhadores da oposição (UJR, Correnteza, PT, MOB, FIST e militantes autônomos) seguiram em marcha até a Centra do Brasil.


A manifestação contou com aparato policial desproporcional, apesar do ato seguir de forma pacífica, muitos manifestantes foram revistados e a tensão psicológica era grande. Dezenas de policiais militares brutalmente armados com fuzis engatilhados, mais de 15 carros da BAC, tropas de choque e guardas do metrô acompanharam o ato.


Após piquete chegar na Central do Brasil – por volta das 18:30 - a polícia fechou os portões de entrada, criando caos no horário de pique do transporte. Pessoas que não participavam da manifestação tiveram muita dificuldade de adentrar a central pelos policiais, tudo isso para impedir que panfletos sobre o aumento fossem entregues aos trabalhadores.


Gritos de ordem como: “Mãos ao alto, esse aumento é um assalto”; “Eu não sou otário, esse aumento vai pro bolso do empresário” e “Sem hipocrisia, esse aumento só é bom pra Supervia”, foram entoados pelas pessoas durante todo o ato.


Os manifestantes se dividiram em grupos pequenos para distribuir panfletos nas portas que ainda estavam abertas, dialogando com as pessoas que passavam por ali. O ato finalizou pacificamente por volta das 19 horas da noite.


Manifestantes se organizaram para panfletar mesmo com a polícia pressionando. Fotos: J.Lee


Aumento


A partir do dia 12 de fevereiro, as tarifas dos transportes aquaviários terão aumento após autorização da Agência Reguladora (Agetransp). A linha seletiva de Charitas será reajustada de R$ 18,20 para R$ 19,00; as linhas da Divisão Sul (Mangaratiba - Ilha Grande - Angra dos Reis) de R$ 17,30 será 18,40; as demais linhas passam de R$ 6,50 para R$ 6,90.


Segundo relatos dos usuários o transporte piorou consideravelmente durante a pandemia, com cortes de linhas e maiores intervalos entre as barcas. A linha mais movimentada, a Praça XV – Arariboia (em Niterói) passou a fechar mais cedo às 21 horas ao invés das 23h. Já Praça XV – Paquetá, que é o único transporte público para os moradores tendo em vista que a ilha fica isolada no meio da Baía de Guanabara, segue funcionando com intervalos de 1 hora e meia.


A estação de Cocotá, na Ilha do Governador segue operando em somente três dias por semana e os itinerários de acesso a Ilha Grande, localizada no município de Angra dos Reis, também teve horários reduzidos e está limitado a moradores da Ilha.


Foi no penúltimo dia de 2020 que o conselho diretor da Agetransp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro) decidiu que o aumento fica em vigor até fevereiro de 2022, justificando a tarifa com dados sociais do IBGE.


Trens


O transporte público de trens que opera atualmente em 12 cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro – comandadas pela empresa Supervia – sofreu aumento da tarifa em 25%. No mesmo esquema das barcas, várias linhas sofreram com a precarização após o começo da pandemia, em março de 2020.


A deliberação do aumento ocorreu em 28 de dezembro passado, estando vigente também durante um ano a partir de fevereiro. A tarifa passa de R$ 4,70 para R$ 5,90.


Usuários relatam que as linhas de Guapimirim, Vila Inhomirim e Magé ficaram suspensas em setembro e atualmente seguem operando com menos vagões e em tempos maiores de intervalo. Já os moradores da Zona Oeste do Rio passaram a sofrer desde junho com o cancelamento do trem expresso. As linhas de Deodoro e Santa Cruz foram unificadas, porém a Supervia prometeu que a junção seria recompensada com mais vagões, porém os relatos são de superlotação e muita espera.


Gostou do texto?

Com a ascensão da censura e ataques recorrentes à mídia, entendemos que o jornalismo independente se torna mais importante do que nunca. Não podemos nos calar.
Por isso precisamos de seu apoio, queride leitor. 
Apoie a mídia independente e ajude o JM a continuar publicando. Só podemos fazer nosso trabalho livre de amarras institucionais pois acreditamos que a imprensa deve se manter autônoma, para isso contamos com sua colaboração.  Você pode apoiar mandando uma doação para o PIX do jornal: sigametamorfose@gmail.com