• Marcus Vinícius Beck

Memória vintage

Novidade


Casa Liberté inaugura neste sábado ponto cultural Lyceu Obsoleto, iniciativa criada pelo professor e DJ Alexandre Perini. Ao JM, Perini fala sobre a cena cultural da capital e aponta rumos pós-pandemia


Desenho da militante Angela Davis na entrada da Casa Liberté - Foto: Abigail Botelho/Divulgação



Goiânia completa neste sábado (24) seus 87 anos em meio ao vírus da incerteza. Entre medo e protocolos de segurança, estar numa platéia de pessoas que não saborearam nenhuma dose nos bares durante os meses da moléstia virou uma experiência para a história. Muitos dos que vão bebericar um Angela Davis (drink com vodca, curaçau, limão, schweppes citrus, groselha e cereja) ou Ravachol (gin tônica, limão siciliano e alecrim) podem não se recordar da primeira vez que reuniram os amigos para curtir a boemia, mas certamente vão se lembrar do primeiro rolê pós-pandemia.


Antes de sair de casa, algumas perguntas têm de ser feita: afinal, é hora mesmo de voltar ao bar? Tá, mesmo eu me cuidando e seguindo à risca as medidas de higienização, será que as pessoas ao meu redor também possuem essa preocupação. Será que elas levaram a sério a quarentena? Usam máscara? Passam álcool em gel nas mãos? Honestamente, a resposta mais apropriada talvez seja não, porém retornar à vida cultural para uma parte da população representa a preservação da sobrevivência e sanidade. E, sejamos francos, há casas que se preocupam com a segurança. A Liberté é uma delas.


A pedida para voltar à vida social é bem interessante: uma discotecagem com a finalidade de marcar o aniversário da capital e a abertura de um novo ponto de arte e cultura. A Lyceu Obsoleto abre as portas neste sábado (24), às 18h, na Casa Liberté – um casarão com arquitetura Art Déco localizado na Rua 19, ao lado do histórico Colégio Lyceu, no Centro da capital goianiense. Além de discos e objetos antigos, o Obsoleto oferecerá cursos de marcenaria básica, jardinagem ou sobrevivência em ambientes hostis – o que, convenhamos, se faz necessário nestes tempos nada aprazíveis.


Idealizado pelo professor e DJ Alexandre Perini, o espaço vem para ser um refúgio aos amantes de arte, música e cultura. O nome da loja é uma homenagem ao colégio mais antigo de Goiânia. No Obsoleto, serão ofertados produtos de tabacaria, bem como manutenção e consertos de objetos. Perini, figura conhecida na cena cultural da cidade por sua presença em festivais alternativos, colocou boa parte do seu acervo de discos a disposição da loja. De acordo com o criador do projeto, o lugar será destinado a gente curiosa e funcionará aos sábados durante o dia, além de terça a sexta no período da noite.


Espaço vem para ser um refúgio aos amantes de arte, música e cultura - Foto: Divulgação



“Já era uma idéia pré-pandemia. Fomos desenvolvendo melhor nesse período. Chegamos num formato econômico”, afirma Perini em entrevista ao Jornal Metamorfose realizada na tarde da última sexta-feira (23). A Liberté, prossegue ele, tem uma proposta cultural alinhada com seus projetos e ainda conta com os aspectos da novidade e atualidade, que vinha sendo pensado desde o período pré-pandemia – e foi interrompido quando as autoridades impuseram o isolamento social como medida para conter a escalada do vírus. “Obsoleto é um projeto de discotecagem em vinil e equipamento vintage que já promovo fazem 10 anos”, diz ele.


No momento, a Liberté tem em suas dependências uma barbearia, um estúdio de tatuagem, o escritório de partido, além do próprio bar - estabelecimento cuja carta de bebida faz referência a figuras históricas da militância política. Segundo o jornalista e ilustrador Heitor Vilela, a Obsoleto ficará na entrada da casa e virá para enriquecer ainda mais o ponto de encontro e cultura situado no Centro da capital. “Além de funcionar como loja e oficina/ escola, a ideia do idealizador é fazer feiras de discos e arte periodicamente”, relata Vilela, criador da concepção estética da Liberté, espaço que completou neste mês dois anos com as portas abertas. E o nome da iniciativa, como surgiu? “Lyceu pela proximidade e para lembrar os liceus de artes e ofícios”, explica Perini.


Ainda durante entrevista ao JM, o professor e criador da página Goiânia Antiga, Alexandre Perini, afirma que após a pandemia será necessário investimento “pesado” em eventos populares, bem como a manutenção de espaços culturais e novas empreitadas por parte do município. Segundo Perini, é preciso ter compreensão do entendimento “da constante criação do patrimônio cultural” e sua importância para manter viva a memória histórica de Goiânia. “É preciso ensinar nas escolas, discutir nos órgãos que promovem a cultura e modificações na cidade”, avalia. Enquanto isso, a Casa Liberté nos oferece refúgio cultural e resistência política antifascista.


Serviço:

Inauguração Lyceu Obsoleto

Data: sábado, 24

Horário: a partir das 17h

Local: Casa Liberté

Endereço: Rua 19, Nº 400 - Setor Central

Couvert: 5$



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