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Mudanças climáticas aterrorizam a humanidade

Editorial

Preço dos combustíveis tem peso no nosso dia-a-dia, mas essa não é a questão principal

Acre já tem quase 130 mil pessoas atingidas pela cheia de rios na capital e no interior do estado. Foto: Marcos Vicentti/Secom


Nos últimos dias vimos mais uma movimentação bizarra do governo Bolsonaro: retiraram Roberto Castello Branco da presidência da Petrobras (não iremos discutir o mérito de sua administração) e colocaram no cargo o general da reserva Joaquim Silva e Luna.


O último militar a ocupar o cargo na estatal foi durante a DITADURA MILITAR (sim leitor, vamos colocar em letras maiúsculas por que ainda existem negacionistas e revisionistas históricos que insistem em dizer que não foi golpe, que não foi autoritarismo, que era democracia, etc etc...não! Foi golpe sim, ditadura sim, autoritarismo sim, censura sim, tortura sim e Bolsonaro é saudosista e apoia sim!).


A troca se deu pelo aumento nos preços, decorrente da política adotada desde o governo golpista de Michel Temer e da estratégia do governo de colocar militares em postos de comando das estatais. Silva e Luna será o terceiro militar em postos de comando da empresa. Além dele, o presidente do Conselho de Administração é o almirante de esquadra da reserva Eduardo Bacellar Leal Ferreira e o oficial da reserva da Marinha Ruy Schneider foi indicado para o conselho de administração pelo governo federal.


Para muitos economistas e jornalistas, o ponto central de notícias e críticas gira em torno da liberdade econômica e da queda dos preços das ações da Petrobras na bolsa de Nova York, poucas horas depois do anuncio. Segundo essa perspectiva, a troca deixa claro a disputa em torno da política de preços e isso fragiliza a empresa por supostamente passar um cenário de insegurança para os investidores.


Mercado, mercado. Investidores, investidores...Sejamos realistas: em um momento de grave pandemia, leitos lotados, falta de auxilio emergencial, pobreza crescente, vacinação paralisada, etc; o que preocupa mesmo o governo são os investidores? Sim, vide discussão sobre a autonomia do Banco Central (desnecessária nesse momento), pauta da reforma administrativa e etc. E importa por que esse não é só um governo de direita autoritário. Ele é, como a Ditadura foi, entreguista; privatizante (já cogitou até mexer no setor elétrico), adotando um discurso de que se uma empresa é estatal ela não é boa, que precisa privatizar para ser (o que já é mais do que provado ser justamente o contrário); submisso ao imperialismo e ao mercado neoliberal. Além de não discutir as questões de fato candentes dos nossos dias pandêmicos, ninguém (ou quase ninguém) fala de uma questão central quando nos referimos a combustível: as mudanças climáticas.


A distopia ambiental e climática está a nossa porta, só não ver quem não quer. Secas mais intensas, ondas de fome, disputas por água e por aí vai. O Texas (EUA), que normalmente é um estado mais quente e seco, essa semana literalmente congelou, deixando ao menos 50 mortos. Metade da população, aproximadamente 15 milhões de pessoas, ficaram sem água. A passagem da tempestade de inverno congelou os canos e a população enfrentou cinco dias sem energia.


Em terras brasileiras, o Acre, além da covid, dengue (cerca de 500 casos por dia) e crise migratória, enfrenta seríssimos problemas com alagamentos. As chuvas e o aumento no nível dos rios são normais nessa época do ano (o chamado “inverno amazônico”), mas em 2021 a proporção aumentou absurdamente. Em Rio Branco, capital, por exemplo, cerca de 40 bairros foram atingidos por igarapés que transbordaram e centenas de famílias tiveram que deixar suas casas. No município de Tarauacá, com cerca de 43 mil habitantes, 23 mil pessoas foram atingidas pelo aumento do nível do rio que corta a cidade. A enchente atingiu aproximadamente 70% do município e é a maior desde 1997. Houve falta de energia, comida e água.


Pelo menos mais três municípios estão em situação análoga e várias populações indígenas já perderam suas plantações. Abrigos estão sendo improvisados em quadras esportivas, escolas e parques de exposição, mas há um grande número de pessoas e uma pandemia. Fora isso o risco de doenças como leptospirose é altíssimo. As imagens da situação no Acre são assustadoras.

Mas, vivemos sob um governo que faz pouco caso do meio ambiente e só quer “passar a boiada”. Se quisermos um futuro, é preciso começar para ontem a pensar nas mudanças climáticas e como minimamente retardar seus impactos. Antes de pensar em preço do petróleo, por que não pensamos em viabilizar outros tipos que combustíveis, não fosseis?


Energia limpa, outras formas de mobilidade urbana para diminuir o número de carros nas ruas e a poluição da queima do petróleo que influi tanto no efeito estufa, etc. Como bem pontuou o professor Franck Tavares no Twitter: “quando as secas, tempestades, ondas de fome e guerras decorrentes do aquecimento antropogênico vierem, lembre-se de quem exonerou tributos destinados à saúde, previdência e assistência (PIS e COFINS) para promover combustíveis fósseis”.



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