• Júlia Aguiar

“Não existe mais corrupção no governo”, afirma Bolsonaro

Política

Vice-liderança do governo no Senado, Chico Rodrigues (DEM-PR) é preso em flagrante com dinheiro na cueca

Jair Bolsonaro (sem partido) ao lado do senador Chico Rodrigues (DEM-RR). Foto: Twitter - @senadorchico, em 20.mai.2020

“Eu acabei com a lava-jato porque não existe mais corrupção no governo”, afirmava o Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no último dia 7, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. Enquanto isso, a vice-liderança do governo no Senado enfia dinheiro no cu – perdoe as palavras, mas em uma situação como esta é necessária uma linguagem rebuscada tanto quanto as lorotas de Bolsonaro – ou melhor, entre as nádegas.

O Presidente, na tentativa de amenizar o impacto da prisão sobre sua declaração de que não existe mais corrupção em seu governo, afastou oficialmente o senador da vice-liderança no Senado.

Por volta do meio dia de ontem (15), em edição extra do Diário Oficial da União, o despacho do presidente informava aos senadores que: “Nos termos do art. 66-A do Regimento Interno dessa Casa do Congresso Nacional, em atenção ao pedido do Senhor Senador Francisco de Assis Rodrigues, solicito providências para a sua dispensa da função de Vice-Líder do Governo no Senado Federal”.

A operação realizada pela Polícia Federal investiga desvios de recursos públicos destinados ao combate à Covid-19 no estado de Roraima. Na tarde de quarta (14), policiais federais cumpriram mandato de busca na casa do senador Chico Rodrigues (DEM), em Boa Vista, encontrando cerca de 100 mil reais no local, segundo o jornal O Estado de São Paulo. Segundo a revista Crusué, o senador foi encontrado pelos policiais com aproximadamente 15 mil reais entre as nádegas, e várias cédulas sujas de fezes.

Em nota enviada à imprensa, Rodrigues afirma que não tem envolvimento com atos ilegais, “a Polícia Federal cumpriu sua parte em fazer buscas em uma investigação na qual meu nome foi citado. No entanto, tive meu lar invadido por apenas ter feito meu trabalho como parlamentar, trazendo recursos para o combate à Covid-19 na saúde do estado”, disse o parlamentar.

Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU) o esquema soma aproximadamente 20 milhões desviados de emendas parlamentares para o combate à pandemia no estado de Roraima.

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"Não existe mais corrupção", vídeo do JM.


Jair Bolsonaro amanheceu na quinta-feira (15) irritado com a imprensa brasileira - mais uma vez - pela insistência dos jornalistas de o relacionar com casos de corrupção. No mesmo dia, na saída do Palácio do Planalto, aos seus apoiadores o presidente afirmou que “não tinha nada a ver com isso”, talkei?

“A operação de ontem é fator de orgulho para o meu governo, para o meu ministro Wagner Rosário e para a minha Polícia Federal, e não isso que a imprensa está falando agora, que tenho a ver com essa corrupção”, afirmava Jair, que voltou a atacar a mídia. “Esse caso aí é mais uma mentira da imprensa que quer desqualificar meu governo a todo tempo”, continuava o presidente.

Por incrível que pareça, Bolsonaro afirmou que estamos há “dois anos sem ouvir falar em corrupção” em seu governo. A pergunta que não quer calar é: Por que Michelle Bolsonaro recebeu 89 mil reais de Fabrício Queiroz? Mas como sabemos, perguntas como essa são motivo de ameaça – ou seria censura? - por parte do Presidente.

Se 89 mil reais não é o suficiente para escandalizar a imagem da primeira dama... Em março desse ano, a Marfrig, um dos maiores frigoríficos de carne bovina do país, doou 7,5 milhões de reais especificamente ao Ministério da Saúde para a compra de 100 mil testes rápidos do novo coronavírus. O presidente Jair Bolsonaro decidiu repassar essa verba ao programa Pátria Voluntária, liderado por sua esposa.

No fim do imbróglio milionário, o dinheiro foi parar – sem edital de concorrência, diga-se de passagem – na instituição “Arrecadação Solidária”, usada para repassar dinheiro às missões evangélicas lideradas pela ministra Damares Alves.


Mas voltando ao Chico Rodrigues (DEM), - que foi afastado pelo Ministro do STF, Luís Roberto Barroso, por 90 dias do cargo de senador - foi indicado como Vice-Líder do governo no Senado em março do ano passado. Em abril de 2019, o sobrinho do presidente Leonardo Rodrigues de Jesus foi contratado pelo gabinete do senador, sendo Leo Índio, como é conhecido, uma pessoa de confiança do filho 02, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

É válido lembrar que no mesmo ano, Chico Rodrigues também foi o escolhido para ser relator da indicação de Eduardo Bolsonaro à embaixada brasileira em Washington.

Já Bolsonaro pai, gosta de acreditar que “quando eu indico qualquer pessoa pra qualquer local, eu sei que é uma boa pessoa, tendo em vista a quantidade de críticas que ela recebe em grande parte da mídia”, declarou o presidente no último dia 7.