Empoderamento, consciência e negritude

November 12, 2019

Artigo

Foto de um homem fazendo black face, tirada no carnaval paulistano, em 2018. Foto: Júlia Lee 

 

Instaurou-se, 358 anos de escravização no Brasil, o indivíduo era propriedade, privado de qualquer direito. As leis regulavam sua compra e venda no mesmo capítulo dedicado aos animais.

 

Nos Quilombos, entre eles, destaque para Palmares, iniciou a luta pela liberdade, pela terra, por democracia, direito de expressão e organização... por uma sociedade justa. Neste “Mês da Consciência Negra”, alerto referente à necessidade de nos “aquilombar” na era informacional, pleiteando representatividade e reconhecimento do protagonismo na história de construção do Estado brasileiro. A negritude é orgulho da identidade.

 

O “Novembro da Consciência Negra” promove a resistência, a luta e a rebeldia do povo negro no enfrentamento aos racismos estrutural e institucional, disseminados nas esferas sociais. Ressalto que a riqueza de grande porção das famílias brasileiras, se deve à herança de quem habita em morros, periferias carentes, favelas, invasões e em situação de rua; suscetíveis à todos os tipos de violências e exclusão. Reitero, a sociedade presencia mais um “Novembro da Consciência Negra”, órfã de políticas públicas federais, que contemplem reparos à comunidade afrodescendente; com ações potencializadoras de distribuição de justiça social. Em levantamento recente, o IBGE, destaca que dentre as pessoas em situação de extrema pobreza, no Brasil, 72,7% são pretas ou pardas. Correndo os olhos nos noticiários policiais, observa-se enorme massa carcerária, composta por negros, que sequer foram julgados, vegetando nas celas superlotadas, em condições desumanas.

 

Há conquistas valorosas obtidas, no decorrer das últimas quatro décadas, mas, existe um caminho longo, à percorrer, em prol da equidade de condições. Patamar que hoje, soa quase utópico. Ainda, é simbólica a representatividade da raça negra, em altos escalões nos segmentos sociais, econômicos e produtivos. O destaque se apresenta em cota. Disposto como tempero, salpicado aqui ou acolá, de maneira extremamente dosada.

 

Resumindo, o foco do “Mês da Consciência Negra” é, também, articular reflexões sobre a relevância da cultura, e do descendente africano no Brasil, o impacto no desenvolvimento e economia. Depois da Nigéria, o Brasil é a segunda nação no planeta, em população negra. Então, o debate deve ser abrangente, há o racismo que ignora a existência do racismo. Assim, como a sociedade moderna estruturou-se na negação da humanidade do negro. É essencial questionar e propor mudanças no padrão histórico. São passos na direção da civilidade.

 

Ronaldo Marinho é escritor, articulista, gestor e tecnólogo em planejamento de transportes.

 

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