• Lays Vieira

Nova trilogia da Netflix trás elementos clássicos do gênero de terror

Sede de Arte

Rua do Medo é um dos grandes sucessos de julho da plataforma e surpreende com o desenrolar da história

Cartaz da trilogia Rua do Medo - divulgação



Baseado na serie de livros de terror infanto-juvenil, com 16 livros em português, de R.L.Stine, a trilogia Rua do Medo, lançada esse mês pela Netflix, tem feito cada vez mais sucesso. Essa que vos escreve não leu os livros, por isso falarei apenas dos filmes.


Uma coisa é evidente: os filmes são bem mais assustadores e sangrentos do que os livros. Até por que o público alvo dos filmes são jovens adultos e fãs de clássicos slashers.


Dividido em três parte (Parte 1: 1994; Parte 2: 1978; e Parte 3: 1666), a história acompanha um grupo de jovens que mora em uma pequena cidade chamada Shadyside (que, inclusive, existe de verdade e se localiza em Ohio, nos Estado Unidos), conhecida como a capital de assassinatos dos EUA, por ter um passado de crimes. A cidade rivaliza com sua vizinha Sunnyside, que ao contrário da primeira é um lugar rico e feliz (e não existe na realidade, foi criada para os filmes).

Algumas das principais diferenças dos filmes do direto Leigh Janiak para os livros são que, apesar das famílias Goode e Fier existirem no universo literário, eles são diferentes daqueles que foram apresentados nos filmes. Deena, a personagem principal, Sam e Ziggy, também foram desenvolvidas exclusivamente para a trilogia.


Ai, meu caro leitor, você pode pensar que é só mais um filme de terror com jovens, um assassino personificando moralidades e no fim alguém sobrevive. Não é bem assim.


Se tem uma coisa que a gente sabe que a Netflix faz bem é usar os dados de algoritmos ao seu favor. Com base nessas informações, muita coisa é desenvolvida pela plataforma com o intuito de lucrar. Algumas vezes dá certo, outras não. Rua do Medo, está na primeira.


A combinação de elementos, prende cada vez mais o espectador. E, para ser sincera, eles combinaram bem muitas coisas clássicas do gênero do terror, dentre outras que já fazem sucesso na plataforma.


Para além do elenco, conhecido do público da Netflix por outras produções, a trilogia trás muito sangue, mortes bizarras e gore, seriais killers, possessão, estereótipos de bruxa no sentido mais clássico e clichê, um casal lesbico fofo, traumas, nerds, o inicio da internet, relação entre irmãos, etc.


Como a trilogia é divindade em épocas diferentes para contar uma história continua de centenas de anos, cada uma das duas primeiras partes acompanha mais a tendencia dos filmes de então. Por isso, por exemplo, 1978 tem mais uma carga moral na história do que 1994.


Outro ponto é como a Netflix sabe trabalhar a nostalgia, vide Stranger Things. Mas, aqui a nostalgia vem aos anos de 1990 (que já havia sido tentada antes em series co Everything Sucks, mas sem muito sucesso de público) e na parte 2, com os anos 1970 e início dos 1980. Rua do Medo lembra muito o enredo de Stranger Things, mas tem seus elementos próprios e um foco mais adulto.


Outro grande destaque da trilogia e que compõem os elementos de nostalgia é a trilha sonoro, com grandes clássicos do rock de cada época (como Carry On Wayward Son, The Man Who Sold The World, Cherry Bomb, Sweet Jane, entre outros) e prestando homenagens, como a David Bowie.


Até a publicação desse texto, dia 15 de julho, a parte 1 e 2 já estão disponíveis. Amanhã, dia 16, sai a ultima parte da trilogia: 1666, contando a origem da maldição que os personagens tentarem dar fim.


Rua do Medo surpreende, porque, à primeira vista, parece um filme bobo, mas quanto mais ele se desenrola, mais elementos que os fãs de terror gostam vão aparecendo. Por isso, se você também é fã de terror, dê uma chance a essa trilogia.

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