• Júlia Lee

25.10.16

Doce Viagem


As informações chegam até mim como uma onda que arrasta todas as moléculas de água para a areia. Me sinto sufocada, estou afogando na merda em que vive a sociedade.


Antes que as veias que passam por mim explodam de ódio eu saio de casa, ando pela minha rua em direção a um parque que tem ali perto. Pego um cigarro e o levo até a boca, lembro que não tenho isqueiro, passo por dois homens que fumam, um deles me assedia e outro acende meu cigarro. Vou embora com mais raiva ainda.


Sinto o ar indo embora de meus pulmões, a revolta transborda, ela me mata, corrói meu coração despedaçado.


Eu só quero igualdade, e poder fazer o que amo sem ter que me vender para elite que escraviza à todos nós, massa populosa que fabrica armas invisíveis para a guerra subjetiva que está instalada em nossa sociedade assassina.


Se mata os sonhos, desejos e a vontade de viver. A depressão e ansiedade viralizou, agora sair da cama virou ato de coragem, mas hora, como não? Se abrir o celular é pedir para ver desgraça no mundo imaginário.


Como não? Se eu não tenho acesso à educação, saúde e muito menos qualidade de vida. Comemos mal porque a indústria farmacêutica quer nos manter consumidor, eu me visto da dor de milhares de animais que doam sua pele e entranhas para que eu não morra na concepção ideológica de que pessoas não podem andar nuas por aí.


Eu vivo em um mundo onde o ar que respiro é tóxico. Respiro a morte, raiva e o desprezo da elite mundial.


Eu só queria igualdade social.

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