Mais forte do que imaginávamos

August 1, 2019

Sociedade

Atual (des)governo, mesmo com baixa aprovação, se mostra forte

 

Jair bolsonaro. Foto: Reprodução

 

Eram necessários, pelo menos, 308 votos favoráveis para que o texto da Reforma da Previdência (na sua versão modificada, e não a original proposta pelo governo...mas, ainda sim, extremamente prejudicial) passasse em primeiro turno pela Câmara dos Deputados. O placar foi de 379 votos favoráveis e 131 contrários. É verdade que ainda é necessário que o texto passe por uma segunda rodada de votação e depois mais dois turnos no Senado. Entretanto, os números desse evento, mostram muito mais do que parece. E evidenciam muito sobre os próximos resultados.

 

Dezessete partidos deram orientação para que seus deputados votassem a favor: PP, MDB, PTB, PSL, PL, PSD, PRB, PSD, DEM, Patriota, Solidariedade, Podemos, Pros, PSC, Cidadania, Novo e Avante. Seis partidos foram contrários (apesar de algumas “mudanças” repentinas - mas, não inesperadas - de lado, como no caso da Tabata Amaral): PT, PSB, PDT, Psol, Rede e PC do B. O PV liberou sua bancada para votar conforme cada deputado preferisse. O resultado compilado pode ser visto na tabela abaixo, que reproduzimos do XP Políticas:

 

 

 

Vamos analisar melhor esses números dentro do espectro político. Claramente, a oposição votou em peso contra, mas isso resultou em apenas 131 votos. E o dito “centrão” votou em peso com o governo. Afinal, ementas foram liberadas e acordos feitos. Agora, comparemos com eleições anteriores com esse mesmo fim. Tanto no governo Fernando Henrique como no primeiro mandado de Lula, houveram reformas parciais no sistema previdenciário propostas por tais governos e que também passaram por votação.

 

Fernando Henrique teve que digladiar por mais de três anos com o Congresso até que sua proposta fosse promulgada em dezembro de 1998. Lula levou menos de um ano para que sua emenda obtivesse aprovação na Câmara e no Senado, em 2003. Mas, nenhum conseguiu tão rápido como agora. Com Lula, o governo foi capaz de obter 358 votos (21 votos abaixo do número atual), 50 a mais do que o necessário para passar a emenda, incluindo 70 votos do PSDB (o maior partido de oposição na época e que polarizava a disputa do executivo com o PT desde pelo menos 1994), o PFL e outros partidos da oposição. Atualmente, o governo não precisou de promover acordo com nenhum partido de oposição, nem mesmo o PT, que se configura atualmente como o maior partido opositor ao governo. Em termos institucionais, o atual governo foi muito bem.

 

Assim, a conclusão que se tem é que, mesmo com um dos menores índices de aprovação na história recente da democracia brasileira, 32%, e o percentual de confiança caindo de 51% para 46%, o governo Bolsonaro se mostra forte. Muito forte na verdade. Forte o suficiente para dar continuidade a implementação de medidas ultraliberais, iniciadas ainda no governo Temer, ao desmonte educacional e democrático.

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