• Lee Aguiar

"Só garantimos o direito de publicar, publicando"

Doce Viagem

Facción, congresso de mídia ativismo latino-americano, realizado em Buenos Aires, 2017. Foto: J.Lee/Arquivo pessoal


Estamos imersos em uma profunda crise no jornalismo mundial. O poder da imprensa se esvai a cada dia para a mãos dos magnatas, seus métodos de controle sobre a percepção da realidade se sofisticaram. Notícias falsas enviadas em massa, cotidianamente, colocam em cheque credibilidade da imprensa.

Afinal, pra que serve a imprensa? O que é preciso para ser um jornalista? Quem controla a opinião pública: os donos do poder ou a imprensa? É, meus caros, estamos vivendo em tempos de crise.

Em 16 de agosto de 2018, a imprensa americana deu um exemplo de luta pela liberdade de expressão. Após o presidente Donald Trump chamar os jornalistas americanos de “inimigos do povo”, mais de 300 jornais – dos grandes e pequenos, libertários e conservadores – publicaram editoriais a favor do direito de publicar.

O movimento ficou conhecido como “Enemy Of None” ("Inimigos de ninguém", em tradução livre). Os jornalistas se organizaram para lutar pelo poder da imprensa, que é pilar fundamental de uma democracia. O jornal The New York Times publicou na ocasião que: “Insistir em que as notícias das quais você não gosta são notícias falsas é perigoso para a vitalidade da democracia. E chamar os jornalistas de ‘inimigos do povo’ é perigoso, ponto”.

O jornalismo, em qualquer lugar do mundo, tem a função social de fiscalizar o poder, mas isso atualmente parece piada em vários países. O controle sobre a imprensa não é recente, muito menos novidade, por isso lembremos: a liberdade é algo que se conquista todos os dias.

A grande realidade é que existem verdades que não são publicadas, o patrocínio pede a conta e os donos dos jornais tem a tendência de censurar seus jornalistas em matérias polêmicas, não somos ingênuos.

E afinal, o que é feito? Bem, tentamos. Há jornalistas que resistem, fazem o que é para ser feito, já outros tentam colocar nas entrelinhas verdades não ditas, quiçá, ainda há quem acredite no jornalismo independente.

Porém, sem você, caro leitor, nossa luta pela liberdade não é possível. Sem liberdade de imprensa - e liberdade dentro dos veículos - não temos democracia. É importante que você saiba disso e entenda que as notícias que você consome constroem sua realidade, consequentemente, a realidade coletiva.

Somente publicando que garantimos o direito de publicar.

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