• Victor Hidalgo

Stardew Valley - anticapitalismo no Vale do Orvalho

Sede de Arte

Jogo independente lançado em 2016 trabalha com temas anticapitalistas

Capa do jogo Stardew Valley - Reprodução


Essa não é a primeira vez que eu falo de Stardew Valley, provavelmente não será a última. O jogo de administração de fazenda em pixel-art com elementos de RPG e Dating Sim, tem sido muito presente na minha vida nessa pandemia. Desenvolvido por Eric Barone e publicado em 2016, o jogo parece que é mais atual do que nunca. E no contexto da pandemia, ele se torna uma válvula de escape para um mundo que parece não fazer mais parte do nosso.


Você cria o seu personagem e já escolhe o nome da sua fazendinha, e até qual bichinho você quer e a coisa que você mais gosta. Minha fazenda tem o carinhoso nome de Fazenda MST, e meu gato se chama Marx. Você ganha um lote de terra de herança do seu avó no leito de morte, que te entrega uma carta dizendo que haverá um momento que o peso da vida moderna vai cair sobre você, e que nesse momento, ele deve abrir aquela carta.


E é assim que começa o jogo, você trabalhando na cidade para uma megacorporação capitalista que explora seus funcionários a exaustão, a Joja Corp. Nesse momento que você decide abrir a carta do seu avó e se mudar para a fazenda no Vale do Orvalho, para a Vila Pelicano. E é aí que sua nova vida vai começar.



Cuidando da estufa da minha fazenda - Stardew Valley


O jogo te dá alguns objetivos logo de cara: tornar a terra improdutiva que seu avó lhe deixou em uma bem sucedida fazenda de produtos orgânicos. Sua casinha começa modesta, e o terreno completamente tomado por ervas daninhas, árvores, rochas e madeira. Pode parecer algo trabalhoso no começo, mas se torna a sua primeira fonte de recursos no jogo.


E você não está sozinho nessa luta, a Vila Pelicano é habitada por diversos personagens carismáticos para você se relacionar e desenrolar suas histórias. Podendo até casar e ter filhos com alguns deles.


Um detalhe que acho importante apontar é que o jogo não restringe você a um relacionamento heteronormativo, além de permitir que os personagens usem as roupas de todos os gêneros. Parece coisa pequena, mas é um gesto e um ato muito importante para a comunidade LGBTQ+.



Meu personagem cuidando do celeiro - Stardew Valley


Se você leu até aqui, eu quero trazer o tema que eu mais gosto do jogo: socialismo. Isso mesmo, é um jogo anticapitalista que aponta diversos problemas de se viver nesse sistema opressor, indo desde saúde mental (do seu próprio personagem e um funcionário da Joja Corp na vila) como megacorporações destroem pequenos comércios locais utilizando de táticas predatórias de mercado ( imagine um Wallmart chegando numa cidade pequena oferecendo produtos por menos da metade do preço dos concorrentes pequenos só por conta deles poderem se dar ao luxo desse prejuízo?).


E o ponto que isso fica mais claro no jogo é quando ele te dá a opção de escolher trabalhar novamente para a Joja Corp, só que dessa vez na Vila Pelicano, ou restaurar o centro comunitário da cidade, algo que vai beneficiar todos os habitantes. Obviamente, eu escolhi restaurar o centro comunitário, e depois de um tempo, consegui expulsar a corporação da cidade e transformar sua antiga instalação em um cinema.


Stardew Valley recebeu recentemente sua atualização 1.5, que incluiu uma nova área no jogo, a Ilha Gengibre, para você explorar. Nela você vai encontrar novas fontes de cultivo, como mangas e abacaxi, e algumas missões especiais. Além de encontrar um garoto que foi criado por araras.


Eu não podia recomendar mais esse jogo, ainda mais nesses tempos tão sombrios que estamos vivendo. Tenho jogado todos os finais de semana, investindo na minha fazenda e alcançado tudo aquilo que o jovem millenium quer: um pedaço de terra pra plantar, um bichinho e se casar de ter filhos (isso, no meu caso).



Stardew Valley está disponível em todas as plataformas.

Desenvolvedora: ConcernedApe

Distribuidora: Chuckle Fish

Preço: R$ 24.90


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