• Mônica Oliveira

Visibilidade, Voz e Emprego para pessoas trans

São Paulo

Em 2022 acontece a 5º Marcha do Orgulho Trans, conheça a história da mobilização e a programação do evento


Marcha do Orgulho Trans, em 2019, São Paulo. Foto: Divulgação


A 5º Marcha do Orgulho Trans será em formato híbrido e pretende movimentar online pessoas de várias partes do país nos dias 3, 10, 17 e 24 de junho. Este será o momento de todes exporem seus desejos e anseios e, assim, deixar a invisibilidade no passado e passar a ter vez e voz em todos os setores da sociedade.


E não é por acaso que a quinta edição vai contar com a presença da atriz Dominique Jackson, a Elektra na série “Pose”, da Netflix. A primeira deputada estadual trans eleita no Brasil, Erica Malunguinho (PSOL) também já confirmou presença no evento.


Diante de tantas demandas é que surgiu há cinco anos a Marcha do Orgulho Trans visando garantir mais visibilidade às pautas das pessoas trans. O cenário para essa parcela da população no Brasil ainda é de negação de políticas públicas inclusivas e de muita violência.


O Brasil ainda é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Ocupa a triste posição de 68º lugar no ranking de países seguros para a população LGBTQI+. As informações são do Dossiê publicado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA): https://antrabrasil.org/category/violencia/


Marcha e Feira Trans


A 5º Marcha do Orgulho Trans vai sair do Largo do Arouche no dia 17 de junho entre 11 e 12h. E nos dias 11 e 12 de junho acontece a Feira Trans, #TransTEC na Praça da Bandeiras, em São Paulo.


A feira é uma oportunidade de fazer negócios e aprender a empreender, incentivando a empregabilidade, capacitação e educação. A Feira Trans começa às 11h do dia 11 e encerra à 01h. No dia 12, começa no mesmo horário, mas fecha mais cedo, às 20h.


Empregabilidade


O tema #TransTec está diretamente ligado com o momento atual onde a maioria das pessoas trabalham em casa, criam empreendimentos em casa e trazem todo o trabalho online. Para isso, a feria pretende conscientizar empresas sobre a inclusão de pessoas trans no universo da tecnologia. As pessoas trans empreendedoras podem se inscrever para concorrer a um stand gratuito no evento, onde farão a exposição de seus negócios.


Pessoas trans ainda enfrentam dificuldades de colocação no mercado de trabalho, fato crítico que expõe, ainda mais, essa população à vulnerabilidade no país.


De acordo com um estudo feito pela plataforma #VoteLGBT em parceria com a Box1824, a pandemia do COVID-19 agravou ainda mais esse cenário: 6 em cada 10 pessoas LGBTQIA+ tiveram diminuição ou ficaram sem renda.


O estudo ressalta que a população trans e travesti ainda é em larga escala preterida no mercado de trabalho por fugir à normatividade heterossexual. Como consequência, mais da metade dessas pessoas (56,82%) vivem em situação de insegurança alimentar. O relatório completo, “Diagnóstico LGBT+ e pandemia”, você confere em https://votelgbt.org/pesquisas


Linguagem em pauta


O evento promete colocar em pauta outra questão importante: o desenvolvimento da linguagem neutra e inclusiva. Este é o tema do livro “Dossiê de linguagem neutra e inclusiva”, co-criada por Pri Bertucci, um dos idealizadores da marcha trans. Essa forma de linguagem é recente no Brasil e tem buscado promover transformações na comunicação. O lançamento será dia 11 de junho.


Para entender melhor, o site www.orgulhotrans.com traz artigos esclarecedores, como “O que é a linguagem neutra e como ela propõe uma comunicação mais inclusiva”. O texto explica que a linguagem neutra procura romper com generalizações feitas a partir do gênero masculino e traz exemplos do que isso significa. Peguemos um exemplo retirado do artigo: na frase “O trabalho da humanidade melhora sua vida”, substituímos o termo “homem” por “humanidade”.


Para a professora Marina Grilli, formadora de professores em Educação Linguística, essa proposta da linguagem neutra de gênero proporciona um olhar diferente para a naturalização de que o padrão é o masculino, ou seja, o homem, enquanto todas as outras pessoas são derivação desse padrão.


“Quem compreende a existência do machismo estrutural compreende a importância de adotarmos uma linguagem neutra de gênero – e se posicionar sobre a linguagem é decidir de que lado está na sociedade”, afirma Marina em entrevista ao Jornal Metamorfose.


A professora explica que essa ideia vem se popularizando à medida que ganham visibilidade as múltiplas identidades de gênero que não se resumem a “homem” ou “mulher”.


“A identidade de gênero, a performance de gênero e a orientação sexual sempre foram mais complexas do que quer a mentalidade binarista e intolerante fortemente fomentada no Brasil pelo cristianismo contemporâneo e sua postura de ódio generalizado.” Marina ressalta que o comprometimento com uma sociedade mais igualitária abraça toda e qualquer iniciativa que possa conduzir a esse objetivo: “Usar a linguagem neutra é difícil, soa estranho? Sim, certamente. Mas dar o primeiro passo em direção a qualquer mudança é assim mesmo”.


A Marcha do Orgulho Trans já está dando esse primeiro passo e as informações completas do evento estão disponíveis no site orgulhotrans.com.br e no instagram @orgulhotrans. As inscrições para participação nas atividades são gratuitas.



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