• Larissa de Moraes

William tRAPo lança exposição ‘Ficções cotidianas e o corpo que habito’

Cultura

A naturalidade do corpo como matéria orgânica viva, mutável e possível é abordada em exposição de foto performance de nu artístico


O artista e poeta William tRAPo trabalha a naturalidade do corpo em sua nova exposição virtual “Ficções cotidianas e o corpo que habito”. Dividido em duas etapas, o trabalho é composto por 20 fotografias performáticas inéditas de nu artístico. A primeira parte é intitulada “Mergulho” e se trata de uma série de autorretratos de tRAPo. Já a segunda parte “Tudo Pele” é fruto de uma parceria com o fotógrafo e diretor de arte Délcio Gonçalves. A exposição está disponível no site do artista - www.williamtrapo.com.


Com nomes do RAP Nacional, como Racionais, MV, Bill, Dina Di e Facção Central, entre suas primeiras referências, desde o começo de sua trajetória artística William vem trazendo uma visão de crítica social, racial, de gênero e política para o espectro da arte.


A própria escolha de assinar como tRAPo é uma trama de Respeito, Amor e Poesia, carregada de significados e referências que fazem sentido para o artista desde 2012. “As artes que eu consumo, que eu me envolvo e que eu produzo possuem sempre a intenção de expor aquilo que estruturalmente querem que fique escondido, preso e sem voz”, contou tRAPo em entrevista ao Jornal Metamorfose.


Em 2014, William começou a explorar o campo da foto performance com nu, principalmente através de autorretratos. “Ficções cotidianas e o corpo que habito” nasceu da necessidade de criar algo que fosse um pouco mais complexo que um argumento construído através de uma história. As narrativas transmitidas pelas fotografias mudarão dependendo da sequência em que elas estiverem dispostas ou se forem observadas de forma individual. Segundo o artista, a proposta da exposição é trabalhar a naturalidade do corpo como matéria orgânica viva, mutável e, antes de tudo, possível.


O corpo como parte do cotidiano



Em “Mergulho”, tRAPo é modelo, fotógrafo e diretor artístico. Alguns dos autorretratos desta primeira parte foram produzidos antes mesmo que William tivesse a ideia de criar o projeto e outros pensados especificamente para a composição. De acordo com ele, as fotografias caminham juntas a partir do medo e transitam entre o susto, revolta e exposição, com a necessidade de devolver a violência. Por fim, elas chegam na complexidade e equilíbrio que é se manter firme em sua proposta sem se perder no caminho. Nas palavras do artista “seria como aprender a respirar”. O corpo faz parte do cenário cotidiano e a intenção é mostrar a naturalidade de algo que é tratado como transgressor.


Feita em parceria com Délcio Gonçalves, a parte dois “Tudo Pele” veio de um processo de experimentação muito diferente de tudo o que tRAPo já tinha feito antes. “Fomos experimentando possibilidades que envolviam uma conexão bem forte entre corpo e ambiente, que em alguns momentos se misturam, não dá para saber onde começa um e acaba o outro”, explicou o artista.


As duas partes da exposição se conectam em sua proposta de origem: criar uma cena ficcional com um corpo e um ambiente, sendo ambos cotianos. “Esse é um processo que eu trago da performance e que envolve a experimentação e descobertas. No fim, o foco não é o corpo em si e, muito menos, a sua nudez, mas sim a não necessidade de justificativa sobre aquele corpo estar ali existindo”, concluiu tRAPo.


A classificação indicativa de “Ficções cotidianas e o corpo que habito” é para maiores de 18 anos.


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